Taxa atinge recorde de 11,1 por cento no 4º trimestre de 2010

Desemprego cresce à custa das mulheres e dos mais qualificados

O desemprego entre as mulheres teve um crescimento de 14 por cento
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O desemprego entre as mulheres teve um crescimento de 14 por cento Foto: Alexandre Afonso/arquivo

O aumento homólogo do número de desempregados - quase 620 mil pessoas estavam sem emprego no 4º trimestre de 2010 - ficou a dever-se sobretudo ao crescimento do desemprego feminino.

No 4º trimestre de 2010 a população desempregada aumentou 9,9 por cento face ao perído homólogo de 2009, enquanto o desemprego entre as mulheres teve um crescimento de 14 por cento. Foi este aumento do desemprego feminino que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), “explicou 72,2 por cento da variação ocorrida no desemprego total”.

Na prática, 315,4 mil mulheres estavam desempregadas, o que corresponde a mais de metade do total de pessoas sem trabalho.

O INE realça que o desemprego entre os homens também aumentou, mas de forma menos expressiva (5,5 por cento).

Os jovens também estão entre os mais afectados pelo fenómeno em especial os mais qualificados. O desemprego nos indivíduos dos 25 aos 34 anos registou um aumento homólogo de 22,2 por cento, embora os mais velhos não tenham ficado imunes ao problema do desemprego: nas pessoas com 45 ou mais anos registou-se um crescimento homólogo de 13,7 por cento.

O mercado de trabalho continua com dificuldades em manter os postos de trabalho ocupados pelos mais qualificados. Embora os desempregados com ensino superior sejam os que têm menor peso no total da população desempregada, foram estes os principais afectados: o desemprego neste grupo aumentou 37,5 por cento.

Desemprego de longa duração continua a subir

O INE destaca ainda a dificuldade da economia absorver os que estão no desemprego há mais tempo. O número de pessoas que procura emprego há um ano ou mais aumentou 20,8 por cento face ao 4º trimestre de 2009.

Ao todo, havia 337,5 mil desempregados de longa duração no último trimestre de 2010 que representavam 54,5 por cento do total de desempregados.

Esta percentagem compara com os 49,6 por cento verificados no último trimestre de 2009, mas regista uma ligeira melhoria face aos 55,7 por cento do 3º trimestre de 2010.

Algarve supera Norte

À semelhança do que aconteceu na generalidade do país, a taxa de desemprego aumentou em todas as regiões do Continente. As excepções foram os Açores, onde a taxa caiu dos 7,1 para os 7 por cento, e a Madeira, região onde o desemprego se manteve nos 7,5 por cento.

O Algarve continua a bater recordes. No último trimestre de 2010, a taxa de desemprego chegou aos 14,8 por cento, muito acima da média nacional e um aumento significativo face aos 11,8 por cento registados no período homólogo.

O Norte, que até aqui detinha os recordes do desemprego, viu a taxa aumentar de 11,9 para 12,7 por cento. Em Lisboa o desemprego também cresceu – de 10,4 para 12,3 por cento - tal como no Alentejo, que atingiu os 11,2 por cento no 4º trimestre do ano passado (valor que compara com os 10,4 de 2009). O Centro foi a única região do Continente a apresentar uma taxa de desemprego inferior à média, mas também não escapou ao aumento passando de 7,3 para 7,7 por cento da população activa.