Porto arrecada três prémios mundiais de Arquitectura

Foto
O Edifício Vodafone, dos arquitectos José António Barbosa e Pedro Lopes Guimarães Foto: Manuel Roberto

Num dos extremos da linha está o Edifício Vodafone, dos arquitectos José António Barbosa e Pedro Lopes Guimarães, distinguido na categoria de Arquitectura Institucional. No outro, está a Closet House, de Marta Costa e Henrique Pinto, que arrebatou o prémio para o melhor projecto de interiores. E, pelo meio, no Parque da Cidade do Porto, esteve em 2008, durante a Queima das Fitas, um bar temporário da autoria de Diogo Aguiar e Teresa Otto, que venceu na categoria Hotéis e Restaurantes.

Estes são os três edifícios portugueses premiados pelos leitores daquele site, havendo ainda a coincidência de serem todos produto da chamada Escola do Porto. José António Barbosa, Pedro Lopes Guimarães, Marta Costa, Diogo Aguiar e Teresa Otto estudaram todos na Faculdade de Arquitectura do Porto. "Sem bairrismos ou regionalismos, isto é o reconhecimento de uma instituição que ensina Arquitectura com grande qualidade, pondo ênfase no desenho, no empenho e no trabalho", disse ao PÚBLICO José António Barbosa, um dos autores do Edifício Vodafone: um prédio que parece saído de um terramoto, resultado de um concurso lançado em 2006 entre 50 gabinetes de arquitectura.

O arquitecto recebeu a notícia enquanto fazia fisioterapia (partiu uma perna, o que, em algumas culturas, significa boa sorte) e viu a distinção como um prémio pelo "muito sofrimento físico e intelectual que um projecto destes implica". "Foram muitas noites em claro", contou.

O mais surpreendente dos prémios foi o atribuído a Diogo Aguiar e Teresa Otto pelo bar da Associação de Estudantes da Faculdade de Arquitectura na Queima das Fitas de 2008. Venceram numa categoria em que havia resorts luxuosos e grandes nomes da arquitectura mundial em competição - e, revela Diogo Aguiar, na sequência de uma brincadeira de amigos, que divulgaram o projecto num blogue. Daí para a frente funcionou o efeito viral das redes sociais na Internet até chegar à lista dos finalistas do Arch Daily. A base do projecto são 420 caixas de plástico que custam, na IKEA, dois euros cada (o edifício Vodafone custou cerca de 12 milhões), iluminadas, à noite, por luzes LED.

A terceira dupla premiada é constituída por Marta Costa (Arquitectura) e Henrique Pinto (Tecnologia Audiovisual, Automação e Domótica). Transformaram uma casa de 44 metros quadrados num lar útil e habitável, com todas as comodidades, rentabilizando espaços com o recurso à tecnologia. "É o resultado de muitas experiências que fomos fazendo", disse Marta Costa ao PÚBLICO.

Na corrida havia mais quatro projectos lusos, dois do Porto, um da Madeira e um em Lisboa.