Soares, Vitorino e João Gomes Cravinho convidados para explicarem transição democrática à Tunísia

A Tunísia está a passar por um processo que não é novo e que outros países já atravessaram. E pode ganhar em ouvir da boca dos intervenientes europeus do passado e presente como foi transformar um país com um regime autoritário numa democracia. É por isso que um grupo de políticos portugueses e espanhóis - uns no activo, outros já retirados - vai em Março a Tunes explicar aos magrebinos como se faz uma transição democrática. Mário Soares, António Vitorino e João Gomes Cravinho foram convidados.

O seminário está a ser preparado pelo European Union Intitute for Security Studies (ISS), sediado em Paris e presidido por Álvaro de Vasconcelos, pelo recém-criado Centro de Reflexão sobre Democracia e Desenvolvimento tunisino, e pelo Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais.

De acordo com Álvaro de Vasconcelos, as palestras deverão ocorrer a 9 e de 10 do próximo mês na capital da Tunísia. Entre as personalidades convidadas estão Mário Soares, António Vitorino, bem como os espanhóis Narcís Serra, ministro da Defesa de Felipe González, e Nicolás Sartorius, que participou nas negociações da transição espanhola.

António Vitorino confirmou o convite, mas acrescentou estar ainda à espera da definição das datas para perceber se poderá estar presente. Segundo Vitorino, o objectivo é "fornecer [aos tunisinos] um quadro de reflexão sobre o que é que normalmente sucede" neste tipo de processos. O ex-comissário europeu já o fez no passado com os países do Leste Europeu. Confirmada está já a presença do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.

A organização do seminário insere-se na estratégia defendida por Álvaro de Vasconcelos, numa análise feita este mês pelo ISS para o acompanhamento da situação política naquele país magrebino, de "tornar disponível o know-how europeu sobre transição democrática de forma a que a Tunísia beneficie dos aspectos positivos e negativos de experiências anteriores". Em causa está o apoio das instituições europeias aos partidos políticos tunisinos, "seguindo o exemplo do apoio das fundações dos partidos alemães às transições democráticas em Portugal e Espanha".