António Capucho sai de cena "orgulhoso" mas lamenta discriminação do Governo

Carlos Carreiras, vice-presidente da câmara, assume a presidência e promete trabalhar até 2013. Autarca deixa o cargo de conselheiro de Estado à disposição de Pedro Passos Coelho

A decisão foi tomada no final de 2010, mas António Capucho preferiu deixar passar as eleições presidenciais para a anunciar: o presidente da Câmara de Cascais confirmou ontem que vai suspender o mandato a partir de terça-feira, por razões "de natureza estritamente pessoal". Ao mesmo tempo, vai colocar o cargo de conselheiro de Estado à disposição de Pedro Passos Coelho. "Esse é o lugar do líder da oposição", explicou.

Na comemoração dos nove anos à frente do executivo de Cascais, António Capucho explicou que suspende o mandato por um ano, a partir de 1 de Fevereiro. O autarca, de 66 anos, alega que deixou de reunir "as condições físicas e anímicas para o exercício eficaz de funções a tempo inteiro tão absorventes e desgastantes".

Apesar de poder regressar, em qualquer altura, o social-democrata diz que a sua recuperação em tempo útil é "improvável" e que, por isso, não tenciona voltar, "salvo em condições excepcionais". A decisão só agora foi tornada pública, esclareceu, por considerar "perturbador" fazê-lo durante a campanha de Cavaco Silva à Presidência da República.

As "afrontas" do Governo

O líder da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP) fez um balanço positivo de nove anos de governação, mas sublinhou a "discriminação e desconsideração" de que Cascais tem sido alvo por parte do Governo, principalmente nos últimos três anos. A extinção da Junta de Turismo da Costa do Estoril, a suspensão dos investimentos na linha ferroviária de Cascais e a cativação das contrapartidas do Casino do Estoril foram algumas das "afrontas" apontadas. Só nas receitas do jogo, a câmara perdeu 12 milhões de euros em 2010.

Apesar de tudo,Capucho sai "orgulhoso" do trabalho feito. A aposta na cultura foi uma das suas marcas, com a inauguração da Casa das Histórias Paula Rego, em 2009. Na área social, concluiu a demolição das barracas no concelho, no antigo bairro do Fim do Mundo. No actual mandato, tutelava o Planeamento, Urbanismo, Turismo, Trânsito, Assuntos Jurídicos e Polícia Municipal, competências que devem ser assumidas pelo vice-presidente, Carlos Carreiras. Este tenciona agora "homenagear" o seu antecessor, "trabalhando ao longo dos próximos três anos" em prol dos objectivos traçados pela coligação.

António Capucho afasta-se mas não sairá completamente de cena. Está disponível para integrar as listas da Viva Cascais para a assembleia municipal e para a Assembleia de Freguesia do Estoril nas próximas autárquicas. "A nível nacional, vou acompanhar [a política] um bocadinho à distância, a não ser que me convidem para dar apoio a Passos Coelho. Aí estarei disponível".

Nos últimos 30 anos, António Capucho foi secretário-geral do PSD, deputado, ministro da Qualidade de Vida e dos Assuntos Parlamentares, secretário de Estado, líder do grupo parlamentar e deputado europeu. Suspende, para já, a vida de autarca, indisponível para se candidatar em qualquer outro concelho, apesar dos convites.