Assessora climática de Obama vai deixar a Casa Branca

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Carol Browner teve um papel relevante na resposta à maré negra no Golfo do México Foto: Stephen J. Carrera/Reuters/arquivo

Carol Browner teve um papel de relevo na gestão da resposta à maré negra causada pela explosão na plataforma petrolífera da BP no Golfo do México, em Abril do ano passado. Foi, ainda, bem sucedida num acordo com a indústria automóvel, para aumentar a eficiência energética dos carros. Mas a principal bandeira sob a sua responsabilidade – uma ampla legislação climática para reduzir as emissões norte-americanas de CO2, através sobretudo de um sistema de quotas e comércio de licenças de poluição – ficou fatalmente comprometida pela resistência do Partido Republicano no Senado.

Com os republicanos agora em maioria no Congresso, é ainda mais remota a possibilidade de aprovação de tal pacote legislativo num futuro próximo.

Browner, ex-directora da Agência para a Protecção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês) durante a administração Clinton, é apontada como “extremista” por alguns congressistas republicanos.

A sua saída da Casa Branca foi confirmada ontem por um assessor da Casa Branca não identificado, citado pelo Politico, um site noticioso norte-americano que cobre a actividade política em Washington. Carol Browner “vai permanecer o tempo necessário para assegurar uma transição tranquila”, disse o assessor.

“Carol permanece confiante de que a missão do seu gabinete manter-se-á central para o Presidente e está satisfeita com o que estará no [discurso sobre] o estado da Nação amanhã e no orçamento para as energias limpas”, completou o assessor.

Barack Obama fará esta noite (madrugada em Lisboa) o discurso sobre o Estado da Nação, onde apontará as principais linhas da sua acção política para o próximo ano.

As ambições da sua administração na área ambiental e climática têm esbarrado na resistência de sectores liberais e conservadores, que temem o seu impacto sobre os negócios e o emprego.

Obama assumiu, a nível internacional, o compromisso voluntário de reduzir em 17 por cento as emissões de dióxido de carbono do país até 2020, em relação a 2005. Mas, sem uma legislação climática aprovada e no actual contexto político, esta meta torna-se difícil de assegurar.