Cartão de cidadão dificultou voto e informações falharam

Muitos eleitores não conseguiram votar
ADRIANO MIRANDA
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Muitos eleitores não conseguiram votar ADRIANO MIRANDA

Muitas pessoas - não se sabe ao certo quantas, por não haver registo - tiveram ontem dificuldade em saber o seu número de eleitor e local de voto, um problema agravado para quem tem cartão de cidadão. Quase 4,4 milhões de portugueses já têm o cartão.

Para votar já não é preciso apresentar cartão de eleitor, basta saber o número. Mas ontem à tarde, todas as formas electrónicas disponíveis para o consultar apresentaram problemas e quem queria saber onde votava teve de recorrer à junta de freguesia. Por todo o país formaram-se filas à porta das autarquias com centenas de eleitores descontentes.

O cartão de cidadão, que contém o número de eleitor em chip, de nada serve nas assembleias de voto, onde não há dispositivos para o ler. Além disso, muitos cidadãos que se dirigiram aos seus locais de voto habituais descobriram que não estavam ali inscritos porque lhes tinha sido atribuído um novo número de eleitor quando fizeram o cartão de cidadão - a actualização do código postal com os últimos três dígitos, por exemplo, é suficiente para haver alteração do número.

Questionado sobre se esta situação teria influência nos valores da abstenção, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Nuno Godinho Matos, disse ontem que "é claro que vai aumentar, [mas] ninguém pode dizer quanto é que vai aumentar de forma científica".

A Direcção-Geral da Administração Interna assumiu as responsabilidades do mau funcionamento dos dispositivos electrónicos, mas desvalorizou a influência do sucedido no aumento da abstenção. "Os dados não demonstram isso. Este problema só se verificou a partir das 13h00 e ao meio-dia já tínhamos uma afluência menor do que a de 2006 e não havia nenhum problema", justificou o director-geral, Paulo Machado.

O PCP criticou a situação e anunciou a intenção de pedir explicações a Rui Pereira, ministro da Administração Interna, já hoje no Parlamento. E o candidato José Manuel Coelho pediu mesmo a repetição das eleições e a demissão do presidente da CNE.