Antigo ditador "Baby Doc" Duvalier regressa ao Haiti após exílio de 25 anos

"Baby Doc" governou o Haiti durante 15 anos, até ser deposto
LEE CELANO/REUTERS
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"Baby Doc" governou o Haiti durante 15 anos, até ser deposto LEE CELANO/REUTERS

Organizações de defesa dos direitos humanos exigem que "Baby Doc" seja finalmente julgado pelos crimes de tortura e assassínio do seu regime

Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier, o ditador cujo tenebroso regime de corrupção e repressão terminou com o golpe de Estado de 1986, está de volta ao Haiti para, segundo disse, "participar no renascimento do país", que atravessa uma conturbada crise política e não conseguiu ainda recuperar do violento terramoto de há mais de um ano.

"Baby Doc", de 59 anos, aterrou em Port-au-Prince no domingo, a data marcada para a segunda volta das eleições presidenciais, que acabaram por ser adiadas. No aeroporto estava uma pequena corte de apoiantes, que o receberam com gritos de "Viva Duvalier!". "Estava à espera deste momento há muitos anos. Mal pus o pé no chão, senti-me inundado por uma alegria imensa", declarou o antigo ditador, que passou os últimos 25 anos exilado em França.

Em 1971, Jean-Claude tinha 19 anos quando herdou o título de "Presidente vitalício" do pai, François "Papa Doc" Duvalier. No poder desde 1957, "Papa Doc" instaurou um regime brutal, usando os ritos tradicionais vudus do Haiti para criar um culto da personalidade e recorrendo à milícia paramilitar "Tonton Macoutes" para subjugar a população.

"Baby Doc", que governou durante 15 anos até ser deposto, limitou-se a prolongar o regime do pai. O jovem ditador também deixou a sua marca de repressão e corrupção no país, tendo fugido com milhões de dólares dos cofres públicos. A chegada do antigo ditador imediatamente levantou especulações que também Jean-Bertrand Aristide, refugiado na África do Sul, possa ensaiar um regresso.

Em declarações à Reuters, Duvalier avançou as razões que o levaram a deixar o exílio: "Eu sei que as pessoas aqui [no Haiti] estão a sofrer". "Não podia deixar de lhes demonstrar a minha solidariedade; queria provar-lhes que estou com eles, que estou disposto e determinado em participar no renascimento do Haiti", declarou.

O primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, disse à Associated Press que, como cidadão haitiano, Duvalier "é livre de regressar a casa", e que não há razão para a sua presença em Port-au-Prince "desestabilizar o país". "Se ele tem qualquer plano político, desconheço", acrescentou.

Agora que Duvalier está no Haiti, as organizações de defesa dos direitos humanos exigem que seja finalmente acusado e julgado pelos crimes do seu regime.

"O regresso de Duvalier ao Haiti deveria servir um único propósito: fazer justiça", sublinhou o director da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco. "Durante a presidência de Duvalier e dos seus Tonton Macoutes, milhares de pessoas foram mortas e torturadas e centenas de milhares forçadas a fugir para o exílio. O seu confronto com a justiça já foi adiado tempo de mais", denunciou.

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