Nobre diz que não tem "autocarros pagos pelas câmaras"

Fernando Nobre começou a endurecer o tom. "Esta candidatura não tem autocarros pagos pelas câmaras municipais, não tem jantares pagos pelas câmaras municipais", atirou, logo a abrir o discurso de ontem à noite, perante cerca de 250 apoiantes, em Faro.

O fundador da AMI não falou em nomes, mas a acusação pareceu visar o candidato apoiado pelo PS e pelo BE, Manuel Alegre, cujos apoiantes chegaram em vários autocarros, anteontem à noite, ao comício de Castelo Branco. Mais directa foi a crítica a Cavaco Silva. Não tenham medo, mesmo daqueles que falam da crise política, como se depois deles fosse o caos. No caos já nós estamos. Nós vamos precisamente tirar o país deste caos que nos está a amedrontar", prometeu.

De seguida, a habitual piscadela de olho aos abstencionistas e aos desiludidos dos partidos. "Esta é e será sempre a candidatura daqueles que ainda acreditam em Portugal, dos desiludidos, daqueles que, embora membros de partidos políticos, não se revêem nas suas cúpulas".

Num discurso em que se comparou a Martin Luther King, Gandhi e a Nelson Mandela, Nobre disse-se arrepiado com uma mulher que o abordou ontem na rua. "Veio falar-me do seu suicídio e do seu marido por causa de uma dívida de três mil euros à Segurança Social. Quando as filhas vão à Segurança Social dizer que os pais se vão suicidar, ouvem como resposta "Suicidem-se, mas depois vocês vão ter que pagar a dívida na mesma". Eu não quero um país assim. Comigo na presidência, esses problemas serão resolvidos na hora porque eu assim o exigirei".

No discurso anterior, o mandatário regional da sua candidatura, o ex-governador civil de Faro, António Pina (PS), já se tinha atirado a Cavaco Silva. "Agora descobriu o mar. Quando foi primeiro-ministro, destruiu a frota portuguesa", lembrou, numa alusão à proposta de criação do Ministério do Mar. Alegre também levou veementes puxões de orelhas. "É, sem dúvida, democrata e um antifascista, mas, trinta e cinco anos depois do 25 de Abril, vir utilizar o argumento do antifascismo como único e bom argumento que tem, temos que convir que já não chega", disse, referindo que no PS há "uma maioria silenciosa" que ainda não decidiu o que fazer no dia 23. Natália Faria