Adopção gay estará no próximo programaeleitoral do PS

No grupo parlamentar vi estupefacção nas pessoas (...) muitas delas até achavam que a adopção era mais importante.Além da educação para a igualdade, o reconhecimento de direitos parentais às pessoas LGBT é a prioridade, para Vale de Almeida. O ex-deputado garante que o PS irá incluir no seu programa a adopção, a co-adopção e a PMA.

Quando será possível a adopção?

É uma prioridade absoluta. Há duas prioridades: uma é constante e tem a ver com a igualdade e todo o trabalho educativo; outra é política e tem a ver com a parentalidade. Ou seja, a adopção por casais do mesmo sexo, mas também com a perfilhação, a co-adopção e a procriação medicamente assistida (PMA). Creio que vai acontecer na próxima legislatura. Tenho a certeza de que o PS vai incluir isso no seu próximo programa, até porque à medida que o debate sobre casamento foi avançando, no próprio grupo parlamentar vi a estupefacção nas pessoas a dizerem: "então, mas sem adopção porquê?" Muitas delas até achavam que a adopção era mais importante. Porque tinham a noção humana clara que existem miúdos. E não só os que estão para adoptar, mas os filhos de gays e lésbicas que vêem a sua situação parental não resolvida. Isso vai mudar. Tenho a certeza de que do lado da esquerda, incluindo o PS, isso vai passar a ser maioritário. E espero que não haja muita demagogia nos conservadores.

Está a falar do interesse da criança?

Sim. Todos defendemos o interesse da criança; a questão é o que queremos dizer com isso e até onde levamos essa afirmação. E, para mim, é de uma crueldade impressionante as crianças, que têm um pai ou uma mãe que vive com uma pessoa do mesmo sexo, não poderem ter acesso àquela outra figura parental. Devia ser rapidamente resolvido. Ao mesmo tempo ou logo a seguir, a possibilidade de casais do mesmo sexo adoptarem ou recorrerem à PMA. Quando saí do Parlamento, deixei com colegas trabalho no sentido de eliminar a imposição da lei - que eu acho inconstitucional - de colocar as mulheres sob tutela de um homem. As únicas pessoas que podem recorrer à PMA são mulheres que vivam com um homem. Isso é contrário à igualdade.

E as barrigas-de-aluguer para os homens, como fez Elton John?

A questão barriga-de-aluguer levanta questões éticas, não tenho qualquer medo em afirmar isso. Sobretudo, no que tem a ver com o estabelecimento de um negócio. Para isso é que o Estado deve intervir e regular. Acho que é um sonho que as pessoas podem ter, mas também existe como alternativa, muito rica do ponto de vista humano, a adopção das crianças já existentes, em vez de prosseguir o sonho biológico, mas isso é uma questão pessoal.