CARTAS À DIRECTORA

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Criatividade? O que é isso? Para que serve?

Não perguntem aos nossos governantes, eles são uns ignorantes! (no assunto)

Há muitos anos, quando a multinacional em que trabalhei me pagava revistas de referência como uma ferramenta de trabalho, uma delas, não sei se a Time se a Fortune, trazia, por altura de uma eleição nos EUA, uma capa que interrogativamente afirmava: "Justifica-se um candidato a peso de ouro?"

A questão era e é pertinente tanto lá como cá, com uma grande diferença - os regimes democráticos.

Há semanas, o meu amigo Miguel e Mota, neste mesmo jornal, aflorava a questão - a falta de liberdade para o povo eleger o seu candidato.

Mas eu sempre fui um imaginativo lutador e tenho por isso a certeza de que não foi o MFA que tão comodamente se sentou na cadeira das mordomias, mas um outro movimento genuinamente democrático e não sectário que acabará por prevalecer. Assim ficará resolvido parte do problema, mas a outra parte já não será tão fácil.

Não pela falta de dinheiro para pagar a um Belmiro de Azevedo ou um César das Neves, muito menos à minha "boss" Isabel Jonet. Aos primeiros pagaríamos mais tarde e com juros, à última pagávamos em géneros, ela agradecia e ainda orava por nós.

O grande problema é que nenhum deles aceitaria, eles aliam a competência à seriedade, por isso recusavam de imediato aderir à classe política.

Este é o dilema de Portugal. Com conhecimento de causa afirmo que não somos menos capazes do que holandeses, austríacos ou japoneses, só que no nosso país os eleitos para gerir a coisa pública não têm que ser honestos, trabalhadores ou competentes, têm apenas de ser amigos, filiados e obedientes.

Rui Figueiredo

(Ex-technology adviser e area manager)

A crise

O Governo aplica cortes salariais e cortes nos subsídios, verificando-se simultaneamente aumentos nos combustíveis, transportes públicos, pão, electricidade e gás. As chamadas medidas de austeridade não serão mais que medidas de apoio à emigração.

Com o historial e tradição de emigração que caracteriza o povo português, uma tradução tão significativa na qualidade de vida e poder de compra pode muito bem vir a significar uma onda de emigração que suplantará a que marcou a geração de 60.

Se foi há cerca de 50 anos que Portugal foi palco do maior movimento emigratório até àquela altura, tal deveu-se apenas pela conjugação dos factores sociais da época com as novidades no sector da mobilidade.

Tendo em conta que a mobilidade não parou de se desenvolver, vivendo nós, actualmente, na era com maior mobilidade até à data, o Estado social que está a surgir pode ser o factor que desencadeará uma emigração ainda mais maciça. Não vamos esquecer que os nossos pais e avós fizeram emigrações nas quais o transporte, para além de custar verdadeiras fortunas, chegava a incluir viagens de barco com duração superior a três semanas.

João da Silva Rodrigues, Minde

Greve aos ginásios, já!

Todos sabem que este ano o IVA sobe para 23% em quase tudo. Vemos o nosso orçamento encolher, os preços subir, o poder de compra em queda. Porém, a memória, sobretudo a memória política, dos portugueses tende a ser curta, pelo que expresso aqui o meu direito à indignação enquanto procurarei refrescar memórias.

Há dois anos, em 2008, o Governo, convencido do fim da crise e dos apertos, baixou o IVA que à época era de 21% para 20% na maioria dos artigos e, numa tentativa de incitar à prática desportiva que tão bem faz à saúde, baixou o IVA dos ginásios de 21% para 5% - sim, desceu 16% o IVA, repito 16% a menos. Perante isso, esperavam os clientes de ginásios que as suas mensalidades descessem, se não em total conformidade com a descida do IVA, pelo menos num valor que se notasse. Não conheço todos os ginásios mas, conversando com vários utentes de casas diferentes, não conheço nenhum que tenha descido o preço. Alguns mantiveram-no, penso que a maioria, e alguns passaram a "oferecer" serviços que os clientes não pediram, como a esmola de oferecer três sessões por semana, em vez das duas contratadas, a pessoas que só têm mesmo dois momentos livres da semana, ou oferecer o uso da piscina a quem só gosta de ginásio. Descer o preço é que não. Ninguém deu por nada, ninguém fez manifestações, o Governo deixou rolar, as autoridades competentes da concorrência e das cartelizações nada viram de inconveniente neste enriquecimento de 16%.

Pois agora, que chegou a factura e a subida de impostos deixou de poupar ginásios e dos actuais 6% passam a 23%, aqui-d"el-rei que os preços sobem. Arre, mas que república das bananas é esta? Façamos greve aos ginásios já! (...) Alexandra Malheiro, Porto