Crise da dívida intensifica-se

Alemanha e França pressionam Portugal a pedir ajuda, diz a revista Der Spiegel

Sócrates pressionado por parceiros europeus
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Sócrates pressionado por parceiros europeus PÚBLICO

Os Governos alemão e francês estão a intensificar, depois de mais uma semana negativa nos mercados, a pressão para que Portugal recorra a uma ajuda da zona euro e do FMI para resolver os seus problemas de financiamento.

A notícia é dada na edição de hoje da revista alemã Der Spiegel e dá conta da preocupação das duas maiores potências da zona euro com a subida das taxas de juro da dívida pública portuguesa durante as últimas semanas. Diz a publicação que, perante o actual cenário, Alemanha e França querem que Portugal recorra já a ajuda externa, uma vez que antecipam que o país fique dentro de muito pouco tempo incapaz de obter financiamento nos mercados a taxas de juro sustentáveis.

Parece assistir-se assim a uma repetição do que aconteceu com a Irlanda há três meses. Dublin não queria recorrer ao fundo de emergência europeu, mas os seus parceiros da zona euro exerceram forte pressão para que tal acontecesse, com o objectivo de travar o contágio a outros países. Agora, apesar de esse objectivo não ter sido atingido no caso irlandês, Alemanha e França apostam na mesma estratégia para Portugal.

A situação de Portugal nos mercados da dívida pública deteriorou-se durante esta semana, com as taxas a subirem ontem até aos 7,294 por cento, um valor muito próximo do máximo da última década de 7,357, que tinha sido atingido em Novembro. Portugal tem agendada para a próxima quarta-feira uma emissão de Obrigações de Tesouro num montante situado entre 750 e 1250 milhões de euros. No final do dia de ontem, o Governo fez questão de anunciar que está também a preparar uma operação de venda directa de títulos de dívida, possivelmente à China ou Brasil.