Sul rico em petróleo deverá votar pela secessão

Omar Al-Bashir de visita ao Sul do Sudão antes de referendo

O Presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, chegou a Juba, a cidade que serve de capital da região do Sul do Sudão – e que poderá votar pela secessão no referendo do próximo domingo – para uma série de contactos com líderes independentistas e opositores políticos.

O Presidente foi recebido à chegada por Salva Kiir, o líder da região semi-autónoma e vice-chefe de Estado, que esteve do outro lado da barricada durante a guerra civil que se prolongou por duas décadas naquele país. A realização do referendo pela autodeterminação foi prevista nos acordos de paz de 2005, que puseram fim ao conflito que matou mais de dois milhões de pessoas.

Em causa está a divisão do país, o maior de África, em dois, através da separação do Norte, de maioria islâmica, e do Sul, predominantemente cristão e animista. Mas não é apenas a religião que separa as duas regiões: a tensão é étnica e cultural. O Sul, onde se concentra a riqueza petrolífera, queixa-se da marginalização dos governos de Cartum desde os tempos coloniais.

Mais de quatro milhões de pessoas registaram-se para votar, mais de 95 por cento das quais no Sul – o que leva os analistas a concluir que a partição é “inevitável”. O porta-voz da Comissão do Referendo no Sul do Sudão, Chan Reec Madut, disse à BBC que tudo está a postos para a votação, e que a população está “disposta a caminhar por seis ou oito horas para chegar às mesas de voto”.

O correspondente da BBC, James Copnall, informou que a realização de um comício de Omar Al-Bashir, esta noite, ainda não tinha sido confirmada. Esperava-se que o Presidente apelasse à unidade nas vésperas da votação, mas como relata o jornalista, os principais dirigentes do Governo de Cartum também já dão o referendo por perdido.