Ordem dos Arquitectos manifesta apoio à aprovação do projecto para o Largo do Rato

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Antevisão do polémico edifício cuja construção foi licenciada na semana passada dr

Conselho Directivo Regional do Sul da Ordem considera que "os pareceres emitidos por equipas de técnicos especializados devem ser respeitados"

Uma semana depois de aprovado pela Câmara de Lisboa, o controverso projecto para o Largo do Rato continua a fazer correr tinta: ontem o Conselho Directivo Regional Sul da Ordem dos Arquitectos anunciou estar de acordo com a aprovação do licenciamento do projecto de Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina.

"Parece-nos relevante estimular a regeneração do Largo do Rato, que é um espaço descaracterizado pelo nó viário complicado e agressivo que lhe serve de núcleo, numa perspectiva clara de pensar território", justifica a OASRS num comunicado ontem divulgado, em que defende que revitalizar e repovoar o centro da cidade são "premissas para a evolução urbana e sustentável de Lisboa".

"As cidades devem servir e acolher os seus habitantes: evoluindo, desenvolvendo-se e adaptando-se às suas necessidades, quer por reacção - solucionando problemas existentes -, quer por antecipação - reflectindo sobre a sua dinâmica e novas realidades urbano-sociais", lê-se no comunicado. Porque, sustenta a Ordem, a arquitectura "visa mais do que a simples construção de edifícios".

O texto considera que "os pareceres emitidos por equipas de técnicos especializados devem ser respeitados" e diz ter em consideração "o trabalho desenvolvido por todos aqueles que avaliam a arquitectura e tomam decisões sobre a alteração das cidades". E lembra que a Ordem acompanha o processo "há muito".

Apontado pelos adversários como uma construção "monolítica" e criticado por não ter articulação possível com o tecido envolvente, o projecto do edifício que vai ser construído no gaveto formado pelas ruas do Salitre eAlexandre Herculano acabou por ser licenciado na sua versão inicial - sem necessidade de recurso à alternativa negociada entre o vereador Manuel Salgado e os promotores -, numa votação em que não participaram três vereadores que sempre se opuseram ao projecto: Helena Roseta, Ruben de Carvalho e Sá Fernandes. O presidente da câmara, António Costa, disse que já que o projecto estava aprovado desde 2005, o executivo decidiu limitar-se a apreciar os projectos de especialidades e a emitir a licença.

Há pouco mais de dois anos a Ordem organizou um debate sobre o projecto, em que Aires Mateus e Valsassina o explicaram "em detalhe". "No final do debate ficou claro, mesmo para os mais críticos", sublinha o comunicado, "que as imagens divulgadas pela imprensa não correspondem inteiramente à explicação dada sobre o projecto."