Estado português deverá realizar 15 novas emissões de dívida nos primeiros três meses do próximo ano

a Vai ser o momento decisivo para saber se Portugal consegue superar a crise da dívida soberana europeia sem ter de recorrer a uma ajuda externa. Durante os primeiros três meses do próximo ano, o Estado vai estar de forma quase permanente no mercado a pedir novos empréstimos e a testar a opinião dos investidores sobre a sustentabilidade das finanças públicas nacionais.

De acordo com o plano de financiamento para 2011, ontem publicado pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), Portugal deverá, durante o primeiro trimestre de 2011, efectuar entre 13 e 15 novos leilões de obrigações e bilhetes de tesouro, num valor que deverá superar os 10 mil milhões de euros.

Nesse período, irá proceder-se ao lançamento de uma nova série de Obrigações de Tesouro (que terá como montante mínimo os 3000 milhões de euros) e à realização de leilões de quatro a seis linhas, com valores situados entre os 750 e os 1250 milhões de euros.

Além disso, nos bilhetes de tesouro (instrumentos com prazos mais pequenos que as OT), está previsto para os primeiros três meses do ano o lançamento de três novas séries e a reabertura de cinco séries, tudo através de leilões que podem ir dos 750 até aos 1250 milhões de euros.

Sempre considerando os valores mínimos de emissão previstos, o montante total a ser pedido pelo Estado português aos mercados através destes instrumentos é de 10.250 milhões de euros.

Para a totalidade do ano, o IGCP diz que as emissões brutas de obrigações de tesouro serão de 20 mil milhões de euros. Relativamente aos bilhetes de tesouro, apenas refere o montante de emissão líquida prevista (emissões brutas menos as amortizações), que antevê ser "marginalmente positivo em 2011". O peso dos outros instrumentos é menor, apesar do recente crescimento de importância dos Certificados do Tesouro (CT), por causa das taxas atractivas que oferece. Ontem, o IGCP anunciou que a subscrever em Janeiro vão pagar, no prazo de 10 anos, uma taxa de juro de 6,4 por cento. Trata-se de um valor ligeiramente abaixo dos 6,5 por cento fixados para o mês de Dezembro, e que correspondeu, até agora, à taxa máxima do novo produto de aplicação de poupanças criado pelo Estado.

A taxa ilíquida para aplicações a cinco anos é de 4,35 por cento (contra 5,4 de Dezembro), e para aplicações nos primeiros quatro anos mantém-se em 1,5 por cento por cada ano.