Crítica

Do Japão com fúria

O saxofonista japonês volta a contar com companhia portuguesa, agora em duas versões: trio e quinteto

O ano passado Nobuyasu Furuya apresentou-se ao mundo com um cartão de visita "Made In Portugal": o disco, "Bendowa", era uma gravação em trio com Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria), edição Clean Feed. Desta vez o palhetista japonês volta a contar com colaboração lusa, em dois formatos, e a edição é da japonesa Chitei Records. Na primeira faixa, vinte e oito minutos, regressa o formato trio, com o apoio rítmico intenso e criativo - Faustino e Ferrandini, que representam dois terços do RED Trio. Na segunda faixa, vinte e três minutos, o trio passa a quinteto, com a inclusão do piano de Rodrigo Pinheiro (o elemento do RED Trio que faltava) e o trombone de Eduardo Lála (colaborador de múltiplos projectos, como por exemplo os excelentes L.U.M.E.).

Tal como no disco de estreia, este álbum segue os fundamentos básicos do "free jazz", com os instrumentos a abordar longas improvisações, procurando caminhos comuns, conjugando ideias, entrando em animados diálogos, desenvolvendo picos de intensidade. Na segunda faixa, com o quinteto, temos uma sonoridade mais cheia, mantendo de resto as características essenciais: coesão e alta intensidade. O sopro de Furuya (que se serve principalmente do saxofone tenor, mas também passa pelo clarinete baixo e flauta), mantém como característica a urgência bruta - é herdeiro de saxofonistas como Peter Brötzmann ou Kaoru Abe - mas prova também ser capaz de momentos de contenção "zen". Não é só um belo disco de Nobuyasu Furuya, este disco é simultaneamente representativo do bom momento da cena jazz nacional.

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