Pequim permite valorização da moeda para travar preços

As pressões dos Estados Unidos e da União Europeia nunca foram suficientes para convencer as autoridades chinesas a deixarem a sua divisa valorizar-se face ao dólar e ao euro. Mas a ameaça de inflação está já a provocar uma alteração da política cambial seguida por Pequim.

Ontem, nos mercados, o yuan voltou a subir face à divisa norte-americana, aproximando-se do seu valor recorde. Tal apenas foi possível porque, no início do dia, o banco central chinês alterou, em alta, o valor médio do intervalo que o yuan pode depois percorrer, com variações de 0,5 por cento para cima ou para baixo.

As autoridades chinesas estão preocupadas com a possibilidade de ocorrência de uma escalada da inflação, numa altura em que a actividade económica recupera a um ritmo bastante forte. Por isso, já procedeu a uma subida das taxas de juro e está agora a permitir a valorização da moeda, por forma a que os preços dos bens provenientes do exterior fiquem mais controlados.

Desde meados de Junho, já se assistiu a uma subida de três por cento do yuan face ao dólar, uma variação pouco vista entre as duas moedas. A expectativa nos mercados é que Pequim mantenha esta política de valorização cambial progressiva, apontando-se para uma variação da divisa superior a seis por cento no decorrer do próximo ano.