Câmara de Coruche quer explicações sobre o possível fim da ligação por comboio a Lisboa

Foto
Coruche pode voltar a ficar sem ligação ferroviária a Lisboa pedro cunha

Autarca socialista garante que ainda não foi informado sobre a intenção da CP. A linha foi reaberta em Setembro do ano passado com o apoio de três câmaras

O presidente da Câmara de Coruche garantiu na semana passada que ainda ninguém lhe disse nada sobre o projectado encerramento da ligação ferroviária entre o Setil e Vendas Novas e que pretende discutir o assunto com a tutela governamental da CP.

O plano de actividades da empresa para 2011 prevê a supressão de comboios de passageiros em várias linhas, entre as quais o Ramal do Setil, onde a circulação foi retomada em 15 de Setembro de 2009 - após cinco anos de interrupção -, na sequência de um acordo entre a transportadora, a Secretaria de Estado dos Transportes e as câmaras do Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos. O protocolo deveria vigorar dois anos, mas as autarquias estão agora preocupadas com a intenção da CP e com a falta de resposta a um pedido de reunião dirigido ao secretário de Estado dos Transportes.

"Não sabemos nada, o que sabemos é através dos jornais e de notícias que dizem que haverá intenção também de fechar esta linha. Não temos mais notícia absolutamente nenhuma e estamos a aguardar a reunião com o senhor secretário de Estado para discutirmos a situação e encontrarmos uma solução", sustenta Dionísio Mendes, presidente da Câmara de Coruche, defendendo que a questão deve ser debatida entre a tutela e as autarquias e não com a CP.

Depois de anos de negociação, a CP e as câmaras assinaram em 2009 um protocolo onde se estabelece que os eventuais prejuízos da exploração serão divididos em partes iguais pela empresa e pelas autarquias. "Este é um modelo único no nosso país, somos as únicas autarquias que suportam custos de exploração de transporte ferroviário. Acordámos desde o princípio que seria dessa maneira. Na altura foi-nos apresentado como uma situação exemplar que poderia passar a acontecer noutros concelhos. Isso não aconteceu, mas nós, numa perspectiva de fazer pedagogia para um maior uso do comboio, entendemos que seria uma atitude de incentivar", sublinha o autarca do PS. Dionísio Mendes frisa que, desta forma, seria possível reduzir a pressão sobre os acessos rodoviários a Lisboa e promover um transporte ambientalmente mais favorável.

Só que a adesão dos passageiros nunca foi muito significativa. Em Julho, responsáveis da CP disseram ao PÚBLICO que os prejuízos já somavam "centenas de milhares de euros" e que as autarquias estavam atrasadas no pagamento da sua parte. Esta afirmação motivou um pedido de reunião urgente por parte dos autarcas, que discutiram o assunto com a CP mas, desde então, pouco se avançou. Dionísio Mendes diz que as câmaras já pagaram uma parte, mas salienta que "neste momento o que está em causa é a discussão total do assunto", porque "há uma série de incumprimentos do protocolo por parte da CP e da Refer". O autarca alude a obras prometidas para as estações, a horários mais de acordo com as necessidades dos passageiros e à promoção das potencialidades turísticas deste percurso ferroviário. "Tudo é discutível, mas é preciso que a tutela nos receba", conclui, salientando que a reunião com o secretário de Estado esteve agendada para a semana passada e foi desmarcada.