Bairro de Santa Cruz de Benfica será poupado nas ligações de acesso e saída para a CRIL

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Protestos duram há anos

A Estradas de Portugal recuou no projecto para a zona da Damaia face às críticas da comissão de moradores e às objecções da Câmara de Lisboa

O Bairro de Santa Cruz, Benfica, já não será atravessado com carros no acesso ou saída da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL), como pretendia a Estradas de Portugal (EP), que optou por integrar a área num projecto paisagístico a realizar pelas câmaras de Lisboa e Amadora.

Além das queixas da Comissão de Moradores do Bairro de Santa Cruz, também a Câmara de Lisboa se pronunciou desfavoravelmente à solução anteriormente preconizada pelo projecto da EP, lembrando que ela promoveria uma situação de tráfego de atravessamento numa área residencial. Aquela ligação, disse ao PÚBLICO Jorge Alves, porta-voz da comissão de moradores, far-se-ia pela Rua do Comandante Augusto Cardoso, "mesmo colada a uma escola primária existente na Rua de Cunha Seixas".

A agência Lusa cita uma carta da EP enviada à Provedoria de Justiça a propósito de uma queixa apresentada em Novembro do ano passado por aquela comissão de moradores (ver outro texto), na qual a empresa diz ter decidido reformular a área "para a integrar em termos paisagísticos", acatando uma proposta formal da Câmara de Lisboa, segundo a qual se deve potenciar a qualidade de vida naquele bairro, minimizando os impactes urbanísticos, ambientais e sociais que a construção daquela infra-estrutura causou.

Esta é a segunda ligação a ser posta de parte pela EP, após idêntico abandono do projecto de uma ligação à Estrada dos Salgados, "por imposição das câmaras de Lisboa e da Amadora", refere a carta citada pela Lusa.

No início do mês, em reunião camarária realizada em Benfica, os vereadores da autarquia de Lisboa, ainda que tenham defendido a necessidade da CRIL para a mobilidade na área metropolitana, criticaram duramente o projecto de construção. Manuel Salgado, vice-presidente, disse mesmo que a câmara foi "ludibriada" em todo o processo.

Naquela assembleia, a comissão de moradores anunciou que pediu uma reunião urgente com a câmara para discussão de medidas que têm a ver com o impacte da obra, não só pelo facto de ter provocado assentamentos de terra e danos daí decorrentes nas habitações mais próximas - factos corroborados por técnicos camarários -, mas também por temer que o escoamento de gases poluentes do túnel do nó da Damaia venha a ultra- passar os limites legais. Segundo a comissão, a câmara tem conhecimento desse facto, ponderando os moradores avançar com nova providência cautelar.