Cavaco Silva resiste a ataques de Francisco Lopes e demarca-se de radicalismos

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Cavaco Silva e Francisco Lopes ontem à entrada para o debate. A TVI não deixou fotografar o frente-a-frente NUNO FERREIRA SANTOS

O candidato Cavaco não poupou o Governo e garantiu que, se o FMI vier, é porque o Governo "de alguma forma falhou"

Foi por mais de uma vez que Cavaco Silva se demarcou de "radicalismos" e de "retórica" como caminhos a apontar para o futuro do país, durante o frente-a-frente eleitoral que ontem realizou com Francisco Lopes, na TVI. Cavaco reagia assim ao ataque do candidato apoiado pelo PCP que o apontou como "um dos principais responsáveis" pela crise que se vive, lembrando logo de início que Cavaco foi primeiro-ministro dez anos e é Presidente há cinco anos. E Lopes não deixou de frisar que o ainda Presidente se assumiu como responsável pelo Orçamento para 2011 que trará mais desemprego e mais agravamento da crise social.

Puxando pelos galões do seu currículo governativo, Cavaco sublinhou que "os portugueses sabem" quem criou o 14.º mês, acabou com os salários em atraso e a miséria na península de Setúbal, trouxe a Autoeuropa para Portugal e deixou uma dívida externa em zero quando deixou o Governo. E garantindo que sabe como contribuir para encontrar soluções para o desemprego e a dívida, rematou: "Tenho muito orgulho do que fiz pelo país sempre que fui chamado a funções."

Sempre querendo dar a imagem de que é um político responsável, Cavaco alertou para o risco que existe em tomar posições que possam abalar a confiança dos mercados na economia e na capacidade de Portugal de resolver os seus problemas.

E recusando-se a voltar a falar sobre o que pensa do Orçamento para 2011 - perante a insistência de Constança Cunha e Sá apenas disse que já falara sobre isso -, repetiu a ideia de que espera que "o Governo desenvolva acções para evitar" a entrada do FMI em Portugal. Mas não deixou de largar uma farpa directa a José Sócrates, ao afirmar que se o FMI entrar em Portugal significa que o Governo "de alguma forma falhou."

Assumindo sempre a atitude de moderação, Cavaco apostou na necessidade de defender as pequenas e médias empresas e terminou a prometer usar a magistratura de influência para combater o desemprego. Da mesma maneira como começara a explicar que a sua magistratura de influência foi desempenhada fora dos holofotes da comunicação social. E exemplificou com a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU, em cujo processo de preparação escreveu "cartas e cartas" sem que isso fosse gritado na praça pública.

Insistindo na ideia de que havia alternativas a um Orçamento que aumentará o desemprego, Lopes não deixou passar em branco o facto de Cavaco lembrar a obra feita e atacou afirmando que os portugueses não esquecem as promessas de integrar o pelotão da frente e rematou questionando: "Hoje vemos o que é o pelotão da frente. Quem assume a responsabilidade?"

Já sobre o seu mandato presidencial, Lopes criticou Cavaco por este criticar os que criticaram os mercados. E garantiu que, se for eleito Presidente, irá propor uma acção de resposta e de imposição de condições aos mercados, concertada com outros países em dificuldades como a Grécia, a Espanha e Irlanda.