Foi tão mau que a boa notícia veio de Lyon

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Luisão marcou o único golo do Benfica Foto: Rafael Marchante/Reuters

Jesus parece ter perdido esse estatuto de líder e foi a prova-rainha da Europa que foi começando a desgastá-lo – o técnico foi pequeno de mais para o palco maior do futebol. Ao contrário de Raúl, que é um imperador em campo, com as suas vestes de “Pontifex maximus” e a imponência que o seu 7 impõe graças aos seus 68 golos na prova. Ele que se vestiu de branco no Real Madrid e foi ali coroado, resolveu agora terminar os seus dias de reinado no azul do Schalke. A falta de classe do Benfica ficou evidenciada na que o jogador espanhol tem a mais, quando amorteceu a bola como só os predestinados podem fazer e a ofereceu a Jurado, já na área, para o 0-1.

Aí começou a chover na Luz. A Europa que acolheu o Benfica começava a expulsá-lo pela porta pequena. Antes Cardozo tinha falhado dois golos e Saviola imitado o paraguaio. Até aparecer Raúl, líder de uma equipa aos soluços na Bundesliga. O Benfica atacava e tinha a bola (61 por cento de posse bola), mas quando o Schalke a roubava criava mais perigo. No final, os “encarnados” somaram 21 remates contra apenas sete do adversário – na Champions conta o estofo.

Atrás desta equipa de Jesus está uma estatística desastrosa, que diz que o Benfica não consegue vencer quando sofre um golo. E na Champions já é uma tradição. Foi a quarta derrota em seis jogos na prova, marcou sete golos e sofreu 12. Quando o Schalke fez o 0-2, já o Hapoel ganhava em Lyon, o que colocava os “encarnados” também fora da Liga Europa. Howedes, sozinho na pequena área, bateu Roberto a nove minutos do fim. Voltou a chover, os lenços brancos saíram dos bolsos dos adeptos e a claque virava costas.

O Benfica precisava de ganhar – de marcar três golos – ou esperar por um golo do Lyon. E se Luisão marcou na Luz aos 87’, a festa veio de França, quando Lacazette fez golo no último minuto e empatou frente ao Hapoel (2-2), abrindo de novo a porta da Europa aos benfiquistas. O jogo acabou, sem chuva. E Jesus respirou de alívio, apesar da humilhação. Como Luis Urzúa quando saiu da cápsula Fénix a 13 de Outubro: não viu sol porque já era de noite, mas sentiu o ar fresco e os abraços.


POSITIVO e NEGATIVO

+


Raúl
A “instituição” entrou na Luz e passeou a sua classe. A assistência para o golo de Jurado é um prazer para os olhos. No final até os adeptos do Benfica tinham cartazes a pedir-lhe a camisola 7, já sagrada.

Howard Webb
Outra instituição. O árbitro que apitou a última final da Champions e do Mundial foi só classe.

-


Jorge Jesus
Sai pela porta pequena, com uma derrota (a quarta) no jogo de despedida da Champions, o tal que disse que queria ganhar. Passou o jogo em pé, ao contrário de Magath, e o 15.º classificado da Alemanha deu uma lição ao campeão português.

César Peixoto
É o novo ódio dos benfiquistas e percebe-se porquê. Não tem classe para estas andanças.
Ficha de jogoBenfica, 1
Schalke 04, 2

Estádio da Luz, em LisboaAssistência
Cerca de 30.000 espectadores.

Benfica

Roberto

5

, Maxi Pereira

4

(Aimar

4

, 46’), Luisão

6

, David Luiz

5

, Fábio Coentrão

6

, Javi García

4

, Rúben Amorim

5

, Carlos Martins

4

(Salvio

-

, 79’), César Peixoto

3

(Gaitán

5

, 46’), Saviola

4

e Cardozo

5

.

Treinador

Jorge Jesus.

Schalke 04

Neuer

6

, Uchida

6

, Höwedes

6

, Metzelder

5

, Schmitz

6

, Kluge

6

(Matip

-

, 82’), Papadopoulos

6

, Jurado

6

(Jendrisek

-

, 88’), Rakitic

5

, Raúl

7

e Huntelaar

6

(Edu

-

, 85’).

Treinador

Felix Magath.

Árbitro

Howard Webb

7

, de Inglaterra.

Amarelos

Huntelaar (63’), David Luiz (68’), Saviola (71’), Aimar (77’) e Rakitic (78’).

Golos

0-1, por Jurado, aos 20’; 0-2, por Höwedes, aos 81’; 1-2, por Luisão, aos 87’.


Classificação final
Grupo B
1.º Schalke 04, 13 pontos
2.º Lyon, 10
3.º Benfica, 6
4.º Hapoel Telative, 5
Notícia actualizada às 22h32