Portugal passa de "moderado" para “bom” em desempenho climático

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A China continua a ser o país que mais emite CO2 no mundo Petar Kujundzic/Reuters

Portugal desceu duas posições na análise global da “Climate Change Performance Índex 2011”, a lista de quem está a fazer o quê nas alterações climáticas, elaborada pela organização não governamental GermanWatch e Rede Europeia de Acção Climática. Ainda assim passou da classe de desempenho “moderado” para “bom”, atingindo a terceira melhor posição desde que o índice é publicado. Neste grupo estão o Brasil, Suécia, Noruega, Alemanha, Reino Unido França, Índia, México, Malta, Suíça e Portugal.

De acordo com dados mais detalhados do índice climático, apresentado hoje durante a cimeira climática de Cancún, no México, Portugal conseguiu a 19ª posição quanto à tendência de emissões poluentes – nos sectores da energia eléctrica, transportes, residencial e indústria. Quanto ao nível de emissões – integrando variáveis como o produto interno bruto (PIB) e as emissões per capita – e políticas climáticas, ficou em 15º lugar.

A Quercus – que faz parte da Rede Europeia de Acção Climática – explica este resultado com o “nível de emissões per capita relativamente baixas” e com o “conjunto de medidas consignadas (mesmo que algumas ainda não implementadas) para reduzir as emissões”. Portugal melhorou a sua pontuação no sector do uso da electricidade e das energias renováveis mas piorou no transporte aéreo e no uso ineficiente da energia nos sectores residencial e industrial.

Brasil, o líder do índice climático

Os três primeiros lugares da lista - que compara o desempenho dos 57 países responsáveis por mais de 90 por cento das emissões de dióxido de carbono associadas à energia - não estão preenchidos. Estes lugares estão reservados aos países que reduziram as suas emissões per capita de forma a manter o aumento da temperatura média do planeta nos 2ºC.

Assim, o líder do índice nas três categorias, o Brasil, surge em quarto lugar, à semelhança do que aconteceu no ano passado. Os esforços diplomáticos de preparação para a Cimeira Rio+20 em 2012 – que fez melhorar o desempenho ao nível das políticas climáticas - e o decréscimo da desflorestação terão pesado na decisão de destacar o Brasil. Segundo dados revelados no início do mês, entre Agosto de 2009 e Julho de 2010 foram desflorestados 6451 quilómetros quadrados na Amazónia brasileira, um número que significa uma redução recorde de 14 por cento em relação aos doze meses anteriores.

A seguir ao Brasil surgem a Suécia, Noruega e Alemanha. Espanha ficou em 35º lugar, os Estados Unidos em 54º e o pior país foi a Arábia Saudita.

Mas nem o grupo dos países com “bom” desempenho pode descansar, alerta o índice. “Mesmo que todos os [57] países estivessem tão comprometidos como os líderes da lista, os esforços ainda seriam insuficientes para evitar alterações climáticas perigosas.” É especialmente “alarmante” o fraco desempenho dos dez países que mais emitem CO2: Alemanha, Reino Unido, Índia, Coreia do Sul, Japão, Rússia, Irão, Estados Unidos, China e Canadá. Estes países são responsáveis por mais de 60 por cento das emissões mundiais de CO2.

O desempenho de alguns paísesChina:

o seu desempenho é contraditório. Por um lado, a China continua a ser o país que mais emite dióxido de carbono (CO2) no mundo. Mas por outro, tem intensificado a sua política de redução de emissões, através de metas nacionais vinculativas de redução da intensidade energética e da meta de três por cento de fontes renováveis. A China está a instalar cerca de metade da nova capacidade global de energia renovável, por exemplo.

Alemanha:

pela primeira vez há um plano nacional para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 80 e 95 por cento, em relação aos níveis de 1990, bem como uma calendarização para a redução das emissões. Mas o país não subiu no índice devido à integração da energia nuclear nos planos para reduzir emissões, algo que não convenceu os ambientalistas. Além disso, o país ainda não definiu os instrumentos políticos necessários para cumprir as metas.

Estados Unidos:

Graças ao Presidente Barack Obama, as políticas climáticas receberam um forte impulso, passando nomeadamente pelo investimento em eficiência energética e renováveis. Mas, a incapacidade de acordo no Congresso e as metas propostas pelo país não permitem uma evolução favorável.

Estados europeus:

Há países líderes, nomeadamente a Noruega, Suécia, Alemanha, França e Reino Unido. Mas no espaço europeu também existem países colocados nos últimos lugares, como a Polónia, Itália e Turquia. Os dois primeiros países lideraram o bloqueio no seio da União Europeia à meta de redução de 30 por cento das emissões, até 2020.