Liga espanhola

Melhor jogo do mundo é confronto entre dois estilos

Pepe e Messi deverão voltar a encontrar-se esta noite, em Camp Nou
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Pepe e Messi deverão voltar a encontrar-se esta noite, em Camp Nou Foto: Albert Gea/Reuters

Real Madrid e Barcelona estão a dominar a Liga espanhola de futebol, a ponto de alguns começarem a questionar se este campeonato é mesmo o melhor do mundo ou se é uma cópia melhorada de Ligas como a escocesa, em que tudo se decide a dois. O que poucos discutirão, no entanto, é que o encontro desta noite (20h, hora de Lisboa, SP-TV1) é o que mais se aproxima do epíteto de melhor jogo do mundo.

O encontro entre Barcelona e Real Madrid, que poderá juntar 13 campeões do mundo em campo, ultrapassa as fronteiras de Espanha e prende a atenção um pouco por todo o mundo. É que, de um lado, está o Barcelona de Guardiola, que nos últimos anos foi capaz de ganhar e jogar bem. E, do outro, está o novo Real Madrid de José Mourinho, o homem que na época passada parou a máquina catalã e agora catapultou o Real para o melhor início de temporada de sempre.

Cristiano Ronaldo não gosta que assim seja, mas meio mundo vê também o embate desta noite como um duelo entre o português e Messi, os dois futebolistas que mais podem lutar pelo epíteto de melhor do mundo - e que estão ainda na luta pelo lugar de melhor goleador da Liga, o português com 15 golos e o argentino com 13. E no banco há também um novo embate entre Guardiola e Mourinho.

O antagonismo entre os dois lados é tanto que até no estilo há diferenças. O Barça assumiu há muito a herança de Cruyff e do futebol bem jogado. Já o Real Madrid não tem uma filosofia própria - como Mourinho admitiu numa entrevista ao jornal brasileiro Lance -, sendo um clube ganhador e pragmático. Como ontem destacava o El País, Messi e Ronaldo acabam por ser os rostos destes dois modos de vida, "o argentino com uma camisola da Unicef e o português com o logótipo de uma casa de apostas."

O encontro de hoje marca também o regresso de Mourinho a Camp Nou, depois de eliminar o Barcelona nas meias-finais da Liga dos Campeões. Um embate em que, reduzido a dez, o Inter teve de ser ultradefensivo. E esse dia não sai da memória de Guardiola, que disse esperar hoje um jogo idêntico. "O Real Madrid é a equipa que melhor joga em contra-ataque. Mas nós atacaremos", garantiu Guardiola, acrescentando: "Mourinho sabe que vamos atacar e que eles o vão fazer quando puderem. Se perdermos, quero poder dizer que fomos o Barça."

Mourinho anti-Barça

Mourinho, por sua vez, garante que não vai mudar nada na sua equipa, um Real Madrid que leva 33 golos e que tem sido mais espectacular do que muitos imaginavam. "Não mudamos o nosso modo de trabalhar, ainda que o adversário seja o Barcelona", disse o português, nada preocupado com a recepção que terá em Camp Nou.

Odiado em Barcelona - não só pelo sucesso no embate com os catalães ao serviço do Inter, mas também pelas polémicas quando treinava o Chelsea -, Mourinho é visto como o anti-Barça. É que, apesar de ter mais derrotas (quatro) do que vitórias (três) nos confrontos com o Barcelona, o português já eliminou duas vezes os catalães na Liga dos Campeões. E, por isso, é visto como o homem capaz de pôr fim à série negra do Real Madrid nos clássicos: os merengues levam quatro derrotas seguidas nos embates com o rival e não ganham em Camp Nou desde Dezembro de 2007 - Guardiola, aliás, está 100 por cento vitorioso nos confrontos com o Real Madrid.

O clássico nada decide, concordaram os dois treinadores, até porque apenas um ponto separa as duas equipas (vantagem do Real). O vencedor será, no mínimo, como lhe chamou Guardiola, o "campeão da próxima semana". Mas, num campeonato cada vez mais a dois, derrotar o rival pode ser muito importante. Até porque se trata do melhor jogo do mundo.