“Mais de três milhões” em greve, garantem CGTP e UGT

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Enric Vives Rubio

Carvalho da Silva, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), disse que a central continua a receber dados. “Apesar de continuar essa observação, estamos em condições de transmitir que estiveram envolvidas mais de 3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras portugueses”, referiu.

Esta foi, segundo disse, “nos seus aspectos gerais”, a greve que teve “maior impacto” realizada até hoje em Portugal entre as centrais sindicais, tendo em conta “o contexto” em que foi realizada. Razão que explica o facto de ser “olhada do exterior com muita atenção”, disse.

Ao referir-se à paralisação de hoje como uma “greve oportuna para o futuro do país”, Carvalho da Silva referiu-se tanto ao impacto que teve na função pública, como no sector privado.

Apontou um dado que considerou “extraordinariamente importante”: a transversalidade da greve, por abranger “camadas de trabalhadores com qualificações muito diversificadas”, a somar ao facto de o impacto no sector privado ter “expressões variadas, mas em áreas determinantes do sector produtivos” e “com paralisação em grandes empresas”.

Reclamou “políticas de exigência de criação de emprego, de crescimento económico e, sobretudo, de não empobrecimento da sociedade portuguesa”. E, por isso, referiu a necessidade de mobilizar “em particular a juventude”.

”Vamos continuar a contestar a diminuição dos salários”

De seguida, falou João Proença, secretário-geral da UGT. Ao lado de Carvalho da Silva, reafirmou os pontos comuns assumidos pelas duas sindicais e repetiu a mensagem que tinha deixado durante o dia, de mobilização no sector púbico e privado.

Referiu uma jornada contra as políticas “traduzidas no PEC III [Pacto de Estabilidade e Crescimento] e no Orçamento do Estado” e disse de forma clara: “É fundamental que não haja novo PEC, [é necessário] que muitas medidas sejam alteradas”.

E prometeu: “Vamos continuar a contestar a diminuição dos salários. Vamos dizer que este orçamento é mau. A forma é altamente penalizadora para os trabalhadores”.

“Não aceitamos minimamente a posição do Governo de estar a pôr em causa o direito à administração colectiva, na administração pública e no sector privado”, disse.

Depois de sintetizar o dia de hoje como a tradução da “esperança num futuro melhor”, reconheceu que “muita gente não fez greve, mas manifestou-se solidária”, exemplificando com “empresários que vestiram a camisola do descontentamento”.

“Há uma dimensão de contestação às políticas e uma dimensão de esperança de lutar por políticas diferentes”, acrescentou.

Governo prevê adesão de 25 a 27 por cento

Um quarto dos trabalhadores da administração pública central directa e indirecta terá aderido à greve geral, estima o Governo, dizendo que, “para uma greve geral, fica aquém das expectativas”.

A previsão foi hoje avançada aos jornalistas pelo Secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos. Por volta das 17h00, o sistema de monitorização da adesão à greve geral, que está disponível para consulta no Ministério das Finanças, indicava uma adesão à greve de 23,69 por cento. Ou seja, cerca de 98 mil funcionários públicos da administração central terão feito greve, um balanço que fica bastante aquém do apresentado ao final da manhã pelos sindicatos do sector – 85 a 90 por cento.

Segundo Castilho dos Santos, “a greve de hoje não está a ser uma greve geral de paralisação da administração pública”. “Esperávamos um impacto mais significativo”, acrescenta, concluindo mesmo que os dados disponíveis até ao momento “não parecem indicar que se trata da maior greve de sempre nem mesmo na função pública”.

De acordo com Gonçalo Castilho dos Santos, os números da adesão à greve deverão aumentar nas próximas horas devido à contabilização dos trabalhadores do ministério da Educação. “Faltam-nos os dados relativos ao horário da tarde nas escolas, que irão certamente aumentar o número total de trabalhadores que aderiram à greve”, revela o secretário de Estado.

Por volta das 17h00, o Ministério da Educação contava com 19,47 por cento dos seus trabalhadores em greve e com 1730 escolas encerradas (cerca de 33,32 por cento do total).

No Ministério da Ciência e do Ensino Superior, a percentagem é mais baixa (13 por cento) e só haverá 44 universidades ou institutos encerrados (17 por cento do total de estabelecimentos de ensino).

O Ministério das Finanças é um dos ministérios com maior adesão à greve (42 por cento) e, de um total de 380 estruturas, 137 estão encerradas, sobretudo repartições de finanças. Também no ministério da Saúde, a adesão é significativa (38 por cento), mas não há nenhum hospital ou estabelecimento encerrado.

No Ministério do Trabalho, a adesão à greve rondava, a meio da tarde, os 22 por cento, com 88 estruturas fechadas (18,6 por cento do total). Já no ministério da Justiça a percentagem de trabalhadores em greve rondava os 48,99 por cento, de um total de 237 serviços encerrados, que são sobretudo tribunais e serviços de registo e notariado.

Este ano o Governo disponibilizou aos jornalistas o acesso ao sistema de monitorização da adesão à greve e o secretário de Estado Castilho dos Santos tem feito várias apresentações ao longo do dia no Ministério das Finanças a explicar como funciona este sistema. Os dados são carregados directamente por responsáveis dos serviços da administração pública central directa e indirecta.

Notícia actualizada às 18h00