Ministério Público não sabe onde pára a "Lista Pinota" e pede explicações à PSP

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Repórter envolvido num alegado caso de angariação de prostitutas NELSON GARRIDO

Documento com nomes de políticos e juízes desapareceu ou nunca existiu. Procurador quer saber a verdade e, se for o caso, avançar com punições

A "Lista Pinota" desapareceu ou nunca existiu. O documento que supostamente incluía, entre outros, os nomes de diversos políticos, juízes e polícias que recorriam aos préstimos de prostitutas e homossexuais que seriam "angariados" pelo repórter de imagem da RTP que lhe dá nome não está na posse dos procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e também não aparece no computador onde supostamente estaria guardado. A investigação da PSP, que desencadeou o caso, passou agora a ser suspeita.

No DCIAP existiu a vontade de chamar a depor as pessoas que, alegadamente, estavam incluídas na "Lista Pinota". Esses testemunhos poderiam servir para incriminar o suspeito. Só que, quando recentemente se ultimaram os procedimentos para começar a chamar as pessoas constantes no documento, este não foi encontrado. Nem em papel nem em suporte informático. Agora, a principal suspeita recai mesmo sobre alguns intervenientes nos trabalhos policiais. O procurador responsável pelo caso quer saber se alguém da polícia apagou (destruiu) os registos ou se, por outro lado, os mesmos nunca existiram. Um ou outro caso, a confirmarem-se, configuram sempre um crime.

O mistério em redor da "Lista Pinota" adensa-se ainda mais quando agora se sabe que, na passada semana, o próprio suspeito terá entrado em contacto com quase todos os assessores dos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República (a excepção terá sido o Bloco de Esquerda), dizendo-lhes para comunicarem aos deputados que não existia qualquer listagem com os nomes dos frequentadores de prostitutas e homossexuais.

Carlos Pinota enfrenta uma acusação de lenocínio (promoção da prostituição) e até já terá dito à polícia que, de facto, indicava (falava sobre essas mulheres) prostitutas a alguns dos seus amigos. Geria desde 2007, com um sócio, um site (Momentos de Prazer) onde as mulheres eram apresentadas aos clientes. Receberia cerca de 170 euros por cada anúncio e, alegadamente, uma verba não especificada por cada encontro feito a partir da consulta do site. Mas negou sempre ter uma lista de contactos. A existência dessa lista foi avançada pelos próprios investigadores da PSP, quando no mês passado, na sequência de um vasto conjunto de diligências, que incluíram dezenas de escutas telefónicas, vieram a constituir o repórter como arguido.

As investigações da PSP permitiram identificar várias prostitutas e travestis que costumam frequentar a zona do Conde Redondo, em Lisboa. Estas pessoas, conhecidas de Pinota, seriam por si encaminhadas para os clientes, que muitas vezes utilizavam os, pelo menos, cinco apartamentos que o repórter e o sócio possuíam.

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