A Espanha não mudou nada, Portugal mudou quase tudo

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Ronaldo continua a ser a principal figura da selecção portuguesa Foto: Pedro Cunha

Não haverá muito, ou nada mesmo que mudar, numa equipa que foi campeã do mundo. Era um título anunciado desde 2008, quando, ainda sob o comando de Luis Aragonés, foi campeã da Europa na Áustria e na Suíça. Vicente del Bosque mostrou que era o homem certo no sítio certo à hora certa e manteve-se no posto, não lhe acontecendo como no Real Madrid, em que foi despedido (para dar lugar a Carlos Queiroz) depois de ter sido campeão. E nenhum dos jogadores espanhóis campeões, nem os mais veteranos como Puyol, Capdevilla ou Xavi, pensou em retirar-se.

Pelo contrário, a selecção portuguesa saiu em farrapos do torneio africano e o que se seguiu precipitou a mudança quase total. Saiu Carlos Queiroz e entrou em cena Paulo Bento, que recuperou a selecção de um buraco ainda maior, a qualificação quase perdida para o Euro 2012. Bento provou ser uma boa solução no imediato. Entrou, fez mudanças e a selecção voltou a ganhar e reentrou na luta pela qualificação.

A selecção está melhor do que estava naquele jogo na Cidade do Cabo em Julho passado. A consolidação táctica, com tão pouco tempo de trabalho, só virá depois, mas já são bastantes as mudanças. Mantém-se a aposta em Eduardo (com Rui Patrício na sombra), mas as alterações são mais visíveis na defesa. No lado direito, Queiroz testou três soluções (Miguel, Paulo Ferreira e Ricardo Costa) e até iria testar mais uma (Rúben Amorim), não fosse a lesão do polivalente jogador do Benfica; Bento promoveu dois candidatos credíveis (João Pereira e Sílvio) até ao regresso de Bosingwa, o provável dono do lugar.

No centro da defesa, acabou com a adaptação de Pepe ao meio-campo e fê-lo regressar ao seu lugar natural para jogar ao lado de Ricardo Carvalho, aproveitando o entrosamento que os dois estão a ganhar no Real Madrid, e relegando Bruno Alves para terceira opção. Fábio Coentrão como defesa-esquerdo é descoberta de Jorge Jesus bem aproveitada por Queiroz na selecção e em que Bento não toca - será hoje forçado a isso, devido à lesão do benfiquista, com recurso a Miguel Veloso ou Bosingwa.

O meio-campo, com a retirada de Deco, também sofreu mudanças. Enquanto Pedro Mendes não regressa (se regressar), Raul Meireles é o médio mais recuado, tendo ao lado dois jogadores que não estiveram entre os 23 de Queiroz para a África do Sul, João Moutinho e Carlos Martins. Ronaldo, como "estrela" da equipa e co- mo capitão, não muda e a selecção continuará a depender muito da sua inspiração, mas já terá a companhia de Nani, que falhou o Mundial por lesão - já não há Simão, que se retirou, mas haverá Varela, quando estiver bom, e Danny - e de Hugo Almeida como primeira opção. Isto no caso de Portugal jogar apenas com um ponta-de-lança. Se for com dois, pode avançar Ronaldo, mas também Liedson, o recuperado Hélder Postiga, ou até Nélson Oliveira, Carlos Saleiro e Orlando Sá, como Bento reconheceu ontem.

Quanto à Espanha, o seu "onze" provável é o mesmo que defrontou Portugal no Mundial. Afinal, não há nenhuma razão para Del Bosque mudar o que resulta no presente, uma equipa construída à base do entendimento do meio-campo do Barcelona (Busquets, Iniesta e Xavi), mais o conhecimento mútuo dos centrais (Puyol e Piqué), a segurança de Casillas na baliza e a capacidade goleadora de Villa e Torres. "Don" Vicente não recuou nas suas ideias quando a Espanha, no seu primeiro jogo após o Mundial, empatou em Agosto com o México (1-1), nem quando perdeu em Setembro com a Argentina pós-Maradona (4-1), em Buenos Aires. O que muda hoje é o equipamento, que terá, pela primeira vez por cima do emblema da Real Federação Espanhola, o símbolo de campeão mundial de futebol: uma estrela.