Câmara de Matosinhos admite comprar estádios do Mar e do Leça

Os dois clubes atravessam dificuldades financeiras e o Estádio do Mar vai a hasta pública amanhã

O presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, anunciou ontem a intenção de municipalizar os estádios do Mar, onde alinha o Leixões, e do Leça Futebol Clube (FC). Paralelamente, a autarquia deixaria de ser accionista da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Leixões. "Avanço com esta proposta para garantir que os espaços desportivos da comunidade não possam ser postos em causa. Por má gestão das anteriores direcções, que é o caso do Leça. No caso do Leixões, são dívidas antigas", afirmou Guilherme Pinto ao PÚBLICO.

No entanto, o autarca não revelou o custo estimado desta operação nem qual a verba necessária para a manutenção dos dois recintos. O vereador da oposição Narciso Miranda já criticou a intenção de Guilherme Pinto, ao passo que o líder do PSD de Matosinhos, Pedro da Vinha Costa, não exclui a ideia à partida.

À margem de uma visita efectuada ontem às obras em curso em vários campos desportivos, Guilherme Pinto declarou à Lusa que só não propôs a saída da câmara da SAD leixonense no anterior mandato para não prejudicar ou colocar em causa a prestação do clube na Liga. Esta situação deixou de fazer sentido para o autarca, uma vez que o Leixões desceu, na última época, à Liga de Honra.

O Estádio do Mar vai a hasta pública amanhã, por dívidas de IRC e IRS que totalizam 209.744 euros, referentes à gestão de 2001 e 2002. O montante da hasta pública, com valor base de cerca de três milhões de euros, acima da dívida em sede de IRC e IRS, foi calculado com base em 70 por cento do valor patrimonial do Leixões, estimado em cerca de 4,3 milhões de euros e que inclui o recinto desportivo e construções adjacentes. Já no caso do Leça FC, o clube encontra-se em negociações com o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) e deu o estádio como garantia para conseguir suportar a sua gestão diária.

Esta intenção de municipalizar os dois estádios merece críticas por parte do vereador Narciso Miranda. "É uma hipótese absurda e inaceitável", lamenta o vereador da oposição, que aconselha: "Tenham juízo, não se esqueçam que o dinheiro é do país." Narciso Miranda mostrou-se ainda esperançado de que esta municipalização não venha a concretizar-se. "Espero que nada disto seja verdade, que as ramificações e cumplicidades não conduzam a atitudes precipitadas, e que em Matosinhos não se dê razão àqueles que sempre denunciaram espaços pantanosos entre poder político, futebol e empreiteiros."

Mais conciliador se mostrou o líder do PSD de Matosinhos, Pedro da Vinha Costa. "A ideia não me desagrada, desde que não signifique passar para a câmara responsabilidades financeiras excessivas", aprecia, defendendo a apresentação de "um estudo dos custos" para melhor poder fundamentar uma opinião. "Não excluo, à partida, nem apoio sem conhecer os contornos da decisão. Espero que a câmara possa ajudar os clubes a ultrapassar as dificuldades sem que isso signifique a desresponsabilização daqueles que conduziram os clubes à situação em que estão."

Na reacção às críticas de Narciso Miranda, Guilherme Pinto mostrou-se surpreendido. "Estranho a posição de Narciso Miranda porque tenho a certeza que ele já defendeu a municipalização do Estádio do Mar", comentou. com Lusa