Crise da Primavera está de volta

Espanha e Itália também estão a ser arrastadas para o turbilhão da dívida

A situação da Irlanda, com juros a dez anos acima de nove por cento, pode estar a contribuir para agravar os juros da dívida pública nacional, mas o “filme” de fundo é o que se apresenta já como uma reedição da crise da dívida pública europeia, mas desta vez centrada na Irlanda e em Portugal, depois de a Grécia já ter sido socorrida pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira e pelo FMI.

A dramática subida das taxas de juro nacionais, que hoje de manhã chegaram a tocar os 7,5 por cento, está inserida num movimento de subida iniciado em meados de Outubro que abrange também os juros no mercado secundário das obrigações de referência da Grécia, da Espanha e da Itália, se bem que estas últimas estejam com juros substancialmente inferiores às nacionais.

Os juros das obrigações portuguesas escalaram de 5,580 por cento em 18 de Outubro para níveis acima de sete por cento desde terça-feira, mas as irlandesas dispararam de 6,080 desde a mesma data para 9,257 por cento às 13h15 de hoje, enquanto as espanholas subiam de 3,987 por cento a 15 de Outubro para 4,585 por cento hoje (uma subida a roçar os 15 por cento).

Para a Itália, a situação assemelha-se à de Espanha, com uma subida de 3,663 por cento a 11 de Outubro para 4,112 hoje (mais 12,5 por cento). Por seu lado, as obrigações alemãs a dez anos, que constituem a referência para a zona euro por serem consideras as que oferecem menos risco de incumprimento do reembolso, mantiveram-se relativamente estáveis, se bem que também tenham subido – de 2,248 por cento a 12 de Outubro para 2,426 por cento hoje.

Isto significa que houve um grande aumento das margens (spreads) das obrigações daqueles países face às alemãs, traduzindo, em teoria, um acréscimo da percepção de risco de associada a cada um deles. As margens das obrigações a dez anos estavam hoje em 901,9 pontos-base para a Grécia, 684,2 para a Irlanda, 478,2 para Portugal, 216,4 para a Espanha e 168,8 para a Itália.

Esta graduação de risco apresenta os países quase pela mesma ordem que apareciam na Primavera, mas agora com uma nunce: a Irlanda está pior do que Portugal.