Empresas criadas no INESC Porto são logo pensadas para competir no mercado global

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O INESC Porto comemorou 25 anos de vida nelson garrido

Com uma forte aposta na investigação e decididas a enfrentar a concorrência externa, várias empresas têm sido incubadas no INESC Porto, como a Fibersensing, a MOG ou a Prewind

Exportar é preciso, urgente, bradam os especialistas em economia. Mas há quem, em Portugal, pense logo em jogar na "liga dos campeões", em vez de começar pelos "distritais", para usar uma analogia futebolística. É o caso das empresas incubadas pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (INESC Porto), que, por estes dias, comemora 25 anos de existência. A efeméride serviu de pretexto para mostrar dez spin-offs de segunda geração incubadas desde 2002 no seio do INESC Porto. Nas da primeira geração já tinham surgido alguns nomes de relevo como a Mediadata ou a Novabase Porto.

Entretanto, alguns investigadores saíram do instituto para fundarem outras empresas conhecidas do público em geral, como a Multiwave ou a NDrive. Alguns números que fazem o quarto de século de história do INESC Porto apontam ainda para cerca de 700 ex-investigadores do instituto que transitaram para as principais empresas portuguesas, enquanto outros 155 trabalham lá fora, em 17 países espalhados pelo mundo.

O INESC Porto, que se dedica à Investigação & Desenvolvimento de nível internacional e que funciona como interface entre a universidade/politécnico e as empresas lançará também uma entidade homóloga brasileira que deverá ficar constituída no próximo ano.

Começou com 39 colaboradores em 1985. Em 1998, eram já 277 e, actualmente, conta com 478. Pelos projectos e tecnologia que fornece a entidades externas recebeu 4,8 milhões de euros, em 1998, e cerca de 10,5 milhões este ano.

O INESC Porto forneceu alguma da tecnologia de ponta que empresas como a EDP ou a Efacec comercializam em vários países espalhados pelo mundo. Entre outras actividades vende soluções tecnológicas ao nível das energias renováveis/eólicas para os EUA.

Já a tecnologia que desenvolveu para o sector português do calçado permite agilizar a logística das empresas, reduzir tempos de fabrico e acelerar a resposta ao mercado.

Num exemplo concreto apresentado ao PÚBLICO pelo presidente do INESC Porto, José Manuel Mendonça, se a marca de calçado Fly London receber uma encomenda de sapatos pela Internet, esse pedido será satisfeito sem prejudicar o resto da produção.

Desde 2002, o INESC Porto proporcionou a incubação de dez empresas, que formaram a base da exposição comemorativa dos 25 anos do instituto.

São elas a FiberSensing, sistemas avançados de monitorização, a MOG, sistemas profissionais de vídeo, a Prewind, serviços de previsão da produção de electricidade baseada em fontes renováveis e de preços de electricidade para participação no mercado eléctrico, a Xarevision, publicidade e new media, a Audolici, sistemas de áudio e hi-fi, a Tomorrow Options, dispositivos electrónicos na área da saúde e desporto, a Process Net, Business Process Management, a Tecla Colorida, educação, indústrias criativas, software social, novos media, a Smartwatt, soluções energéticas, e a Next To You, soluções de rede comunitárias/corporativas.

Cinco destas empresas - a FiberSensing, a MOG, a Smartwatt, a Tomorrow Options e a Xare Vision - venderam, em 2009, cerca de 2,9 milhões de euros, dos quais 80 por cento em exportações de bens e serviços de base tecnológica.