Venezuela e Portugal reforçam relações

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Chávez e o "seu amigo" Sócrates em Viana de Castelo manuel roberto

Presidente venezuelano potenciou a assinatura de um pacote de acordo no âmbito da construção naval, da habitação e das novas tecnologias

Chegou, inesperadamente, ao volante de uma carrinha Mercedes cinzenta de oito lugares aos estaleiros navais de Viana do Castelo, e decidiu assinalar a sua chegada com uma grande buzinadela e um enorme sorriso. Vestido de informalmente, o Presidente da Venezuela deu um fraterno abraço no primeiro-ministro português, cumprimentou o ministro das Obras Públicas, António Mendonça (o que substitui Mário Lino, lembrou José Sócrates), e foi conversar com os trabalhadores dos estaleiros que o aguardavam. E logo ali mostrou-se "muito interessado" na compra do navio Atlântida, encomendado aos estaleiros pelo governo regional dos Açores, mas que viria a ser rejeitado. "Ferry? Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Se é assim, estamos muito interessados", atirou Chávez, à chegada aos estaleiros, arrancando uma sonora gargalhada.

Estava dado o mote para a visita do Presidente venezuelano ao lado do "seu amigo" José Sócrates, a Viana do Castelo, que se saldou pela assinatura de vários contratos entre empresas portuguesas e as autoridades de Caracas, nomeadamente com a empresa JP Sá Couto para a entrega de um milhão de computadores Magalhães e outro com o Grupo Lena com vista à construção de 12.500 habitações sociais e três fábricas. Na área da construção naval, foi assinada a aquisição de dois navios asfalteiros pelo Governo de Caracas, no valor de 130 milhões de euros, que serão construídos em Viana.Acompanhado por uma embaixada de ministros, o Presidente da Venezuela voltou a declarar a sua admiração pelo "maravilhoso" computador Magalhães, ao qual diz fazer publicidade em todo o mundo, tendo revelado que presenteou a primeira-dama da Síria com um no início do ano lectivo. Depois garantiu que dentro de pouco tempo os alunos do primeiro grau do ensino do seu país vão passar a dispor de um computador. "Não é um "regalo"!", disse. "Trata-se de algo que faz parte do seu equipamento", afirmou, considerando que a distribuição de computadores em idade escolar "insere-se num dos princípios mais nobres da revolução socialista bolivariana: a educação, a revolução do pensamento crítico e criado".

Agradecendo ao primeiro-ministro por ter potenciado a abertura de relações comerciais entre os dois países, Hugo Chávez elogiou, depois, o "grande contributo de Portugal para o desenvolvimento do mundo" em termos de energias renováveis, considerando mesmo "impressionante" que elas produzam 60 por cento da electricidade nacional. "Este tipo de energia é o futuro. Algum dia há-de acabar o petróleo neste planeta - esperemos que em 3500 -, mas algum dia há-de acabar. Temos de começar a preparar-nos para a era pós-petrolífera", declarou no decorrer de uma visita à fábrica de torres eólicas da Enercom, em Viana. Já Sócrates destacou a importância da visita de Chávez, que constitui "um contributo para e economia e emprego".