Aumento de capital antes da reprivatização

Governo vai meter mais 400 milhões de euros no BPN

O Estado comprometeu-se a meter mais 400 milhões de euros no BPN, através de um aumento de capital a realizar antes de terminar a reprivatização do banco, segundo a documentação entregue aos potenciais interessados na sua compra.

Este aumento de capital só deverá acontecer no próximo ano, atendendo à data expectável da reprivatização, segundo o Jornal de Negócios, que avançou hoje a notícia do aumento de capital.

O preço que o Governo tinha estipulado para a reprivatização do banco (onde vendia apenas a sua rede de balcões) era de 180 milhões de euros, mas não houve interessados.

Este aumento de capital aumentará o dinheiro que o Estado pôs no banco, directa e indirectamente, para cinco mil milhões de euros, um valor da ordem de grandeza do pacote de austeridade que o Governo ver aprovado na sua proposta de Orçamento do Estado para 2011.

Isto porque a CGD (banco do Estado), que ficou com o BPN quando este foi nacionalizado para não abrir falência na sequência de um conjunto de fraudes, já injectou 4600 milhões de euros no banco, com aval do Estado, segundo um relatório da agência de notação de risco de crédito Moodys.

A Moodys emitiu ontem uma com a revisão em baixa da notação de solidez financeira do BPN, de E+ para E, mantendo a notação de risco de crédito mas revelando preocupações sobre a viabilidade do banco – antes de ser conhecida a intenção do Governo de reforçar o capital do banco.

O Negócios lembra que as faltas de capital do BPN rondam actualmente os dois mil milhões de euros, sobretudo devido ao impacto de imparidades associadas ao crédito malparado e à reavaliação em baixa do património imobiliário.