Directora da primeira escola pública nos rankings alerta para clima de conflito

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Rosário Gama aponta deficiência ao modelo de avaliação nelson garrido

Rosário Gama considera que este modelo de avaliação é tão mau como o anterior

A directora da Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, Rosário Gama, alertou ontem para "o clima de conflito" que se está a gerar nas escolas devido ao modelo de avaliação em vigor. "Este modelo consegue ser tão mau com o anterior", criticou a professora, que dirige a primeira das escolas públicas nos rankings dos ensinos básico e secundário.

Para explicar a origem dos conflitos, Rosário Gama, que há dois anos liderou a contestação às políticas da ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, apresenta como exemplo o caso da Escola Secundária Infanta D. Maria: "Aqui existem 92 professores, o que significa que, de acordo com as percentagens definidas pela legislação em vigor, 18 podem ter "Muito Bom" e apenas quatro podem ter "Excelente"". "Imagine-se que quatro dos 17 relatores consideram os professores que estão a avaliar excelentes. Que fazem? Dão os excelentes, esgotando a quota e impedindo-se assim a eles próprios de virem a ter essa classificação, ainda que a mereçam? Ou guardam-na e são injustos na avaliação dos colegas?"

Rosário Gama contesta também o facto de, neste modelo, alguns avaliadores poderem não ser da mesma área científica dos avaliados. São todos professores, todos dão aulas, mas os relatores, que avaliam a generalidade dos professores, são avaliados pelos coordenadores de departamento, recorda. No caso da secundária de que é directora, "isso significa que o coordenador do departamento de Ciências, que é de Física e Química, vai avaliar colegas que são de Matemática, de Informática e de Biologia", aponta.

Apesar de ser relativa ao ciclo de 2009/2011, a avaliação só tem início agora. De acordo com a calendarização, os docentes que queiram aceder às classificações de "Muito Bom" e de "Excelente" terão de pedir a observação de pelo menos duas das suas aulas até ao dia 31 deste mês. "Não sei onde é que os avaliadores, que dão aulas, vão buscar horas", avisa a directora.