Pequim reitera “falta de respeito” da academia

Dissidente chinês Liu Xiaobo pediu à mulher para receber o Nobel da Paz em seu nome

Liu Xia com o marido
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Liu Xia com o marido Reuters

O opositor chinês Liu Xiaobo, que se encontra preso, pediu à mulher que viaje à Noruega para receber em seu nome o prémio Nobel da Paz, que lhe foi atribuído pela academia na semana passada.

“Ele disse-me ter esperança que me seja permitido viajar para receber o prémio por ele. Mas acho que vai ser muito difícil”, afirmou Liu Xia, em declarações feitas por telefone à agência noticiosa britânica Reuters.

A mulher do dissidente e activista dos direitos humanos, que se encontra actualmente submetida a um regime de detenção domiciliária, não crê que o regime de Pequim – profundamente desagradado com a atribuição do Nobel ao dissidente – lhe dê luz verde para a deslocação à Noruega, onde a cerimónia de entrega do Nobel está agendada para 10 de Dezembro.

Para Pequim, a escolha de Liu Xiaobo, “um criminoso que cumpre uma sentença de prisão”, como Nobel da Paz constitui “uma falta de respeito pelo sistema legal” chinês, sublinhou já hoje o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaoxu, reiterando o tom de azedume com que a China tem vindo a expressar-se ao longo dos últimos dias sobre esta questão.