Benefícios da inovação ainda não foram visíveis, diz presidente da Cotec Portugal

Os problemas sérios que países como Portugal, Espanha e Itália enfrentam em termos de crescimento, de criação de valor e de emprego não são muito diferentes daqueles que enfrenta a própria União Europeia: trata-se, também, de problemas de competitividade. "O que não é criado aqui é criado noutro lado qualquer do globo": com estas palavras, Daniel Bessa, secretário-geral da Cotec em Portugal, a associação para a inovação que ontem, no Porto, foi a anfitriã do sexto encontro Cotec Europa (que junta as congéneres italianas e espanholas), dava o ponto de partida para uma reunião em que todos falaram do mesmo: a inovação como chave para sair da actual crise.

E os "todos" que falaram de inovação foram muitos: para além dos secretários-gerais e dos presidentes das Cotec nos três países (em Portugal, a presidência está a cargo do empresário Carlos Moreira da Silva), também a comissária para a Investigação, Inovação, e Ciência, Máire Geoghegan -Quinn, e os chefes de Estado dos três países: o Rei Juan Carlos, de Espanha, o Presidente italiano, Giacomo Napolitano, e Aníbal Cavaco Silva. O convidado especial foi o presidente da Agência de Inovação Americana, Richard Bendis, que veio ao Porto dizer que "os países pequenos tendem a ser mais inovadores porque são mais flexíveis". Boas notícias, pois, para Espanha e Portugal, que "têm mais potencial para inovar". Bastará, defende, entre outras receitas, que procurem "parceiros em todo o mundo", que não tentem criar clusters que já estão inventados, que apostem em parcerias público-privadas, com o privado a liderar e que envolvam os millenials - a camada de população que nasceu entre 1980 e 2000, "que já nasceram na era da tecnologia" e que "serão os futuros líderes".

Portugal compara-se mal com muitos países em muitas áreas e aspectos - por exemplo em termos de produtividade, de dívida externa e de défices de contas públicas. Mas, em termos de políticas para inovar e de instrumentos para aferir o grau de inovação das empresas, não está no fundo da tabela. Aliás, o presidente da Cotec Portugal, Moreira da Silva, até admite que, em termos europeus, e fruto do esforço da Cotec, esse meios e instrumentos existem - como o innovation scoring. "Mas os resultados ainda não apareceram. Até agora, têm sido só custos. Falta aparecerem os benefícios."

E esses, dizia antes Daniel Bessa, só podem ser atingidos quando se contabilizarem as percentagens de vendas em produtos novos, em clientes novos, em mercados novos. "Para ser inovador, não basta querer, é preciso fazer. A inovação tem de ser gerida como qualquer outra dimensão empresarial, tem de ser profissionalizada", exortou.

Paradoxo da inovação

O "paradoxo da inovação" como lhe chamou Cavaco Silva, referindo-se à menor capacidade em transformar o conhecimento em inovação e vantagens competitivas, poderá agora ganhar mecanismos que o combatam, a nível europeu. A comissária Máire Geoghegan convidou a plateia de mais de 300 empresários, governantes e académicos a lerem o Programa para a Inovação que apresentou recentemente à Comissão com que espera que a Europa se torne líder mundial (para já, perde terreno para outras geografias do globo) e para aguardarem as novidades que o presidente Barroso levará ao Conselho em Dezembro.

Não sendo conhecidas as medidas com que a União Europeia se propõe fomentar a inovação, fica o repto anunciado por Carlos Moreira da Silva. "Não desistiremos de demonstrar que é possível alterar o acesso aos financiamentos por parte das PME". E é nestas empresas que está o futuro, primeiro da inovação, e, depois, da saída da crise. Foi o especialista americano que o disse.

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