Torne-se perito

Austeridade vai arrastar Portugal para a recessão em 2011, prevê o FMI

Depois da Grécia, a economia nacional será a mais castigada pelo aperto orçamental. Em 2015, Portugal terá mesmo o crescimento mais baixo da zona euro

À hora de almoço de ontem, o cenário era pouco animador. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acabava de divulgar as suas projecções semestrais para a economia mundial e previa que a economia portuguesa estagnasse no próximo ano. A meio da tarde, o cenário piorou, com o FMI a alertar que as suas previsões não englobavam ainda o impacto das novas medidas de austeridade. Segundo a organização, o reforço da consolidação orçamental deverá empurrar o país para uma nova recessão em 2011.

Jörg Decressin, economista do FMI, disse ontem, numa conferência de imprensa em Washington, que a economia portuguesa deverá contrair 1,4 por cento em 2011. Só a Grécia terá um desempenho pior. Fazendo eco de uma história já familiar, Portugal vai continuar a afastar-se da média europeia e, em 2015, deverá crescer apenas 1,2 por cento, o pior nível de toda a zona euro. Todas as outras economias vão descolar, incluindo aquelas que também tiveram de lançar planos de austeridade, como Grécia, Espanha e Irlanda. Portugal fica para trás.

No World Economic Outlook, ontem divulgado, o FMI deu com uma mão e tirou com outra. Embora tenha revisto em alta a previsão de crescimento de Portugal para este ano (1,1 por cento face aos anteriores 0,3), baixou a projecção para 2011. Em vez de crescer 0,7 por cento, a economia portuguesa terá um crescimento nulo em 2011. Ou, melhor dizendo, teria.

É que as previsões semestrais do FMI não incorporam o impacto das novas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo na semana passada, onde se inclui um corte dos salários da função pública entre 3,5 e 10 por cento e um aumento do IVA para 23 por cento. Foi por isso que o economista do FMI veio ontem dizer que, uma vez contabilizadas essas medidas, a economia portuguesa irá contrair 1,4 por cento no próximo ano. Uma previsão que fica bem distante da do Governo, que espera que a economia cresça 0,5 por cento em 2011.

No sentido contrário ao de Portugal seguirão a Irlanda e a Espanha, que, depois de quedas de 0,3 por cento este ano, vão recuperar em 2011, crescendo, respectivamente, 2,3 e 0,7 por cento. A Grécia manter-se-á em recessão no próximo ano mas, em 2015, vai crescer 2,7 por cento, ou seja, 1,5 pontos percentuais a mais do que Portugal.

A pesar sobre a economia portuguesa está também a previsão do FMI quanto à evolução do desemprego. A organização antecipa que a taxa de desemprego se fixe nos 10,7 por cento este ano e atinja um novo recorde histórico em 2011: 10,9 por cento. Uma vez mais, as previsões ficam acima das do Governo, que aponta para uma taxa de desemprego de 9,8 por cento este ano e 10,1 no próximo.

O défice externo português deverá cair para os 9,6 por cento em 2011, face aos dez por cento deste ano. Do mesmo modo, o défice orçamental deverá passar de 7,3 por cento este ano para 5,2 em 2011, mas nem assim coincidirá com a previsão do Governo, que se comprometeu a chegar ao final do próximo ano com um défice de 4,6 por cento. O PÚBLICO questionou o FMI sobre se a sua estimativa do défice se mantém a mesma com as novas medidas de austeridade, mas não conseguiu obter uma resposta.

Emergentes na frente

À semelhança da economia portuguesa, o FMI reviu também em baixa ligeira as previsões para a economia mundial, apontando agora para um crescimento de 4,8 por cento es