Sporting terá de comprar acções para evitar processo em tribunal

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Bettencourt tenta evitar o descontentamento de alguns accionistas Enric Vives-Rubio

Ainda que nenhuma das partes assuma a conclusão (ou sequer a existência) do negócio, os responsáveis "leoninos" já terão um princípio de acordo com Pedro Baltasar para adquirir os 11,667 por cento do capital social da SAD, aproximadamente 2,450 milhões de acções (0,91 euros por título ao final da sessão bolsista de ontem, em que perderam 13,33 por cento em relação a sexta-feira).

"Por enquanto, não posso dizer nada sobre isso. Essas coisas têm de ser anunciadas primeiro à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários [CMVM], já que se trata de uma participação qualificada", referiu ao PÚBLICO Filipe Nobre Guedes, administrador responsável pelo pelouro financeiro da SAD "leonina".

Também a Nova Expressão, num e-mail assinado pelo seu director-geral, Manuel Falcão, não confirmou o eventual acordo: "A posição na Sporting SAD é integralmente detida pela Nova Expressão SGPS e o seu conselho de administração nunca fez qualquer declaração sobre o tema das suas questões [de uma venda ao Sporting]." A empresa garantiu, por outro lado, que estará "representada com a totalidade da sua participação no capital social" amanhã na assembleia geral (AG) da Sporting SAD, em que será discutida e aprovada o "relatório de gestão", que implica um prejuízo de 26,461 milhões de euros, o segundo maior de sempre.

Com a aquisição desta importante participação, o Sporting reforçaria os 68 por cento que actualmente detém de forma directa (pelo clube) e por via indirecta (a SGPS que controla o grupo empresarial "leonino" e que é detido a cem por cento pelo clube), mas, acima de tudo, impediria uma acção legal por parte da Nova Expressão, pouco entusiasmada em perder metade do investimento feito em acções da SAD - o custo desta operação para o Sporting será (por causa da diminuição de capital) a perda de metade do valor pago.

Nobre Guedes garantiu ao PÚBLICO que já está ultrapassado o prazo legal de dez dias para se interpor uma providência cautelar contra a deliberação da assembleia geral da SAD de 9 de Setembro último, com a aprovação do plano para a sua reestruturação financeira- este plano, em traços gerais, implica uma redução de capital de 42 milhões de euros para 21 milhões, seguindo-se um novo aumento de capital em 18 milhões de euros e com o lançamento de um montante máximo de 55 milhões de euros em valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis (VMOC) em acções da SAD num prazo máximo de cinco anos.

Mas, segundo o PÚBLICO apurou, existe ainda a possibilidade de qualquer accionista poder apresentar uma acção para pedir a anulação da deliberação da AG da SAD de 9 de Setembro, já que o prazo, neste caso, é de 30 dias. Uma acção que teria o mesmo efeito de uma eventual providência cautelar.