Escola premiada pela Microsoft fechou

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Escola EB 2,3 de Lousada premiada pela Microsoft LUíS EFIGÉNIO/NFACTOS

Alunos foram transferidos para um centro escolar sem telefone nem Internet. Este ano, mais duas escolas portuguesas foram seleccionadas para integrar a rede mundial da Microsoft

A escola de Lamego que, no ano passado, foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial de escolas inovadoras, fechou as portas. Os 32 alunos da EB1 de Várzea de Abrunhais - que dispunham de wireless e em cujas aulas os Magalhães trabalhavam conectados com o quadro interactivo - foram transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet.

"Temos uma sala de aulas muito bonita, mas sem condições técnicas. O quadro interactivo não é tão avançado como o que tínhamos na antiga escola e falta-nos a plataforma que garantia a interactividade entre os computadores dos alunos e o quadro, porque nas minhas aulas o que os alunos escreviam no Magalhães aparecia no quadro", lamentou Maria do Carmo Leitão, docente e ex-directora da antiga escola, falando ao PÚBLICO no mesmo dia em que mais duas escolas portuguesas foram seleccionadas para integrar a rede mundial de escolas inovadoras: a Secundária de Lagoa, nos Açores, e a EB 2,3 de Nevogilde, em Lousada, a cerca de 50 quilómetros do Porto.

Quase duas semanas depois de o ano lectivo ter arrancado, o trabalho que colocou a EB1 Várzea de Abrunhais no mapa das escolas tecnologicamente mais inovadoras do mundo continua suspenso e sem garantias de poder ser retomado. "A aldeia foi posta no mundo e é pena que isto se deite tudo a perder", lamenta a docente. Sem Internet, os blogues não podem ser alimentados e os alunos não podem continuar a mandar os trabalhos por mail. O projecto Amigos do Magalhães, mediante o qual Maria do Carmo Leitão se propunha pôr os seus alunos a ensinar os novos colegas a usar as novas tecnologias também está em águas de bacalhau. "A ideia era que os miúdos aprendessem a usar o computador como instrumento curricular, em vez de se limitarem a usá-lo como máquina de jogos, mas a maioria dos alunos deste centro escolar já não tem os computadores ou ainda tem, mas de tal modo deteriorados que se tornaram irrecuperáveis."

À semelhança da EB 1 Várzea de Abrunhais, a escola EB 2,3 de Nevogilde, em Lousada, foi seleccionada este ano para integrar a rede mundial de escolas hi-tech por causa do uso das novas tecnologias na aprendizagem. Nesta escola, com cerca de 800 alunos, há muito que os sumários dispensam papel e esferográfica. "Temos o WebUntis, que é o nosso livro de ponto digital, onde os professores escrevem os sumários, marcam as faltas dos alunos, os trabalhos de casa e escrevem observações, e que pode ser visto pelos pais em casa", descreve a directora Luísa Lopes.

A dinamização de uma rádio e de uma webtv são outras das marcas distintivas desta escola, cujos alunos recorrem aos blogues para quase tudo. "Ui, são tantos", suspira Luísa Lopes. "Temos blogues de turmas, de disciplinas, de professores e até temos blogues de alunos que já abandonaram a escola há dois anos e que continuam activos."

A segunda escola portuguesa a ser chamada para participar no fórum mundial de escolas inovadoras - África do Sul, de 26 a 29 de Outubro - é a Secundária de Lagoa, nos Açores, onde os quadros a giz também já desapareceram. "Cada turma pode trabalhar on-line, 24 horas por dia, sete dias por semana", enfatiza o director Leonardo Amaral, satisfeito com a inclusão da sua escola no programa que a Microsoft promove em 114 países. Em reacção, o secretário de Estado da Educação, João Mata, garantiu que, no próximo ano lectivo, os pais poderão fazer as matrículas on-line em todo o país. com Bárbara Wong