Mourinho desagradado com recusa do Real Madrid à selecção

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"Vou ficar dez dias de férias em Madrid", lamenta Mourinho Reuters (arquivo)

“Queria [mesmo ir para a selecção]. Vou ficar de férias em Madrid dez dias, a treinar com três jogadores”, disse Mourinho à correspondente da RTP em Espanha, após o jogo em San Sebastián, frente à Real Sociedad, que os "merengues" venceram por 2-1.

Numa crítica à atitude do Real Madrid, Mourinho disse mesmo não entender por que razão o clube espanhol teria feito saber a Gilberto Madaíl que não valia a pena ir à capital espanhola tentar convencer os dirigentes espanhóis.

Uma crítica que foi, horas mais tarde, corrigida pelo treinador, em declarações à imprensa espanhola no aeroporto de Vitória. “A jornalista portuguesa disse-me que não houve reunião entre o Real Madrid e Portugal e eu disse-lhe que não entendo porque não houve reunião. Valdano [director-geral do Real] também me disse que Portugal não pediu nenhuma reunião. O que eu queria dizer é que não entendo porque a federação portuguesa esteve em Madrid e não o pediu”, esclareceu o treinador, tentando pôr um ponto final na polémica: “A pergunta foi mal feita, não há mais história. Não entendo porque não houve reunião.”

Jorge Valdano, por sua vez, afirmou que o clube espanhol não recebeu "nenhum pedido oficial" da Federação Portuguesa de Futebol. "O presidente da FPF falou com Pérez e em nenhum momento chegou uma proposta oficial", disse Valdano, acrescentando que, na conversa com o líder do Real, Madaíl "disse que tinham feito aproximação a Mourinho, mas que já não tinham interesse" no seu empréstimo.

Nas declarações em Vitória, Mourinho deixou ainda críticas à actuação da federação. "Se sou convidado para treinar Portugal, não entendo como a federação não se põe em contacto com o Real Madrid", afirmou o técnico, sublinhando que em momento algum poria em perigo o seu relacionamento com o clube espanhol. "Quando informei o Madrid da situação, a direcção disse-me que esperariam pela reunião com a federação. Mas disse ao presidente que ao mínimo obstáculo a situação não avançaria. Não quero qualquer dúvida, por mínima que seja", esclareceu.

Apesar de tentar corrigir o tom crítico em relação ao clube, Mourinho não escondeu à imprensa espanhola que gostava de ter sido libertado para treinar a selecção portuguesa nos dois jogos frente à Dinamarca e Islândia: “Sou honesto e reconheço que estou triste por não poder orientar Portugal, mas não tenho o direito de pedir nada ao Real. É uma situação difícil.”

Já à RTP Mourinho tinha afirmando não ter falado com o presidente do Real, Florentino Pérez, sobre o assunto. “Não tenho o direito de o fazer. Sou treinador do Real”, explicou o técnico, acrescentando ter “pena” por o clube ter recusado emprestá-lo à selecção.

Na resposta a estas declarações, Valdano admitiu que Mourinho está "contrariado, porque toda a gente gosta de ajudar o seu país", mas repetiu que nenhuma proposta chegou ao Real. "Aqui não há nenhum culpado", disse Valdano, considerando o tema "encerrado".

Ainda nas declarações à RTP, Mourinho afirmou não é ninguém para dar conselhos ao novo seleccionador e pediu aos portugueses que se unam, seja Paulo Bento o escolhido ou “outro qualquer”: “Portugueses unidos. Ganhar esses dois jogos que o Europeu ainda vai chegar”, concluiu o treinador.

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