Uma aula, duas ministras e o SNS de António Arnaut

O antigo ministro socialista António Arnaut, fundador, há 31 anos, do Sistema Nacional de Saúde (SNS), aproveitou ontem uma iniciativa de celebração da efeméride, numa escola de Coimbra, para afirmar que a proposta de revisão constitucional do PSD para o sector é "a da direita de interesses". "Muitos dos que estão agora na política já têm um espaço guardado à mesa da administração dos grandes grupos económicos", denunciou.

Na sala de aula da escola EB 2,3 de Taveiro - onde a ministra da Saúde, Ana Jorge, ladeada pela da Educação, Isabel Alçada, explicou o que é o SNS - Arnaut quase passava despercebido. Levantou-se para agradecer os aplausos quando Isabel Alçada convidou as crianças a apreciarem "a maravilha" que era ter ali o ministro da Saúde de há 31 anos; e assistiu, com um sorriso, às explicações de Ana Jorge, que em resposta a um aluno disse que o seu "maior desejo é fortalecer ainda mais o SNS". À saída da aula - em que a ministra da Educação participou como anfitriã -, as posições inverteram-se. Ana Jorge resistiu à insistência dos jornalistas que lhe pediram para comentar as propostas do PSD, limitando-se a assegurar que o ministério "tem vindo a gerir o SNS com cada vez mais eficiência", "prestando mais cuidados, gastando menos e reduzindo o défice". Já Arnaut não hesitou em expor a sua indignação.

"Não podemos dizer que a direita é contra o SNS - quem é contra é a direita dos interesses, aqueles que às vezes até nem pertencem bem à direita política e estão feitos com os grandes grupos económicos para enfraquecer o SNS", insistiu Arnaut. Salientando a importância de manter a universalidade e a gratuitidade do serviço de saúde, considerou que nem a falta de recursos deveria alguma vez pôr em causa o SNS e que, num cenário de "asfixia" e "em última instância", se deveria "criar um imposto especial consignado à saúde".