Entre Faro e Olhão

Dezenas de patos aparecem mortos na Ria Formosa

Dezenas de patos estão a aparecer mortos na lagoa de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) entre Faro e Olhão, na Ria Formosa. Na origem do sucedido pode estar uma bactéria que existe na natureza.

Os sintomas apontam para botulismo, uma intoxicação que tem origem numa bactéria presente no solo e em alimentos contaminados, disse Fábia Azevedo, coordenadora do Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS).

Desde o final de Agosto que têm chegado àquele centro de recuperação uma média de dez animais por dia, num total de 125 aves, na sua maioria patos, dos quais cerca de metade foram salvos, acrescentou a coordenadora do RIAS.

Segundo fonte da empresa Águas do Algarve, que gere a ETAR Faro Nascente - onde são tratados parte dos esgotos de Faro e Olhão -, a mortandade não está relacionada com nenhuma irregularidade no funcionamento da estação. “A ETAR está a funcionar bem e isto é uma situação que se repete sempre por esta altura do ano”, disse a mesma fonte, que refere que as mortes já estão a diminuir.

O aumento da temperatura e o facto de se tratarem de águas paradas pode estar na origem do desenvolvimento da bactéria que produz a toxina botulínica, transmitida através das larvas depositadas nos cadáveres, explicou Fábia Azevedo.

Aquela técnica diz que alguns patos chegam ao centro já mortos e outros, por estarem muito debilitados, morrem passado algumas horas, mas mesmo assim os técnicos têm conseguido salvar cerca de 50 por cento dos animais que ali chegam.

Como a toxina botulínica se transmite através das larvas presentes nos cadáveres das aves e que servem de alimento para outras, é muito importante a recolha dos animais mortos no local, pois só assim se pode erradicar o surto, explica.

Os animais recuperados só deverão ser devolvidos à natureza uma semana a 15 dias depois de terem dado entrada no centro, mas deverão ser libertados num local “o mais afastado possível” da ETAR, sublinha Fábia Azevedo.

Estas aves vão depois transportar consigo uma anilha metálica e marcadores nasais nos bicos para poderem ser identificadas, explicou a coordenadora do centro, referindo que os animais mortos são incinerados.

A situação de mortandade de aves junto à lagoa da ETAR Faro Nascente não é nova, tendo havido, inclusivamente, um ano em que morreram milhares de animais.

A situação está a ser acompanhada pelas autoridades de saúde, que estão a proceder à remoção das aves mortas, e também pelas entidades locais.