Orçamento do Estado para 2011

Soares dos Santos defende redução do IRS e IRC e aumento do IVA

Soares dos Santos diz que "um ano passou e nada aconteceu”
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Soares dos Santos diz que "um ano passou e nada aconteceu” Nuno Ferreira Santos/ arquivo

O presidente da Jerónimo Martins defende que o próximo Orçamento do Estado (OE) é “a última oportunidade para reduzir o papel do Estado-sorvedouro dos impostos” e defende descidas no IRC e IRS e o aumento do IVA.

“Numa hora particularmente difícil para Portugal, não vemos no horizonte político, da esquerda à direita [políticas], quem esteja na disposição de discutir [o OE 2011] de uma forma séria, detalhada e isenta para, em conjunto, se resolverem os problemas do país”, disse à Lusa Alexandre Soares dos Santos.

Em declarações à Lusa, o patrão da Jerónimo Martins, que detém a cadeia de supermercados Pingo Doce e os hipermercados Feira Nova, defendeu que o OE para 2011 é a “última oportunidade” para “combater com seriedade e determinação o problema da despesa pública, designadamente por via da diminuição do número de ministros, secretários de Estado, assessores e adjuntos, dos múltiplos institutos de que se não conhecem o propósito ou a razão de ser”.

A redução do IRS e do IRC, o aumento do IVA e a criação de condições para a existência de um mercado mais competitivo e livre, evitando-se monopólios, como por exemplo o da EDP e o do Gás Natural, que “só prejudicam os cidadãos e as empresas”, são algumas das propostas de Soares dos Santos.

Segundo o empresário, “um ano passou e nada aconteceu”, considerando que “o investimento público não obedece a qualquer estratégia de desenvolvimento, nem a estudos feitos por entidades isentas e competentes”.

FMI a caminho?

“Os partidos políticos estão interessados apenas nas próximas eleições e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já deve ter reservado os bilhetes de avião para Lisboa”, criticou.

O empresário defende a introdução de “incentivos fiscais ao investimento privado e a atracção de holdings estrangeiras e não afastá-las, como actualmente acontece”.

Para o presidente do grupo nacional de distribuição, “a demagogia política é cada vez maior, os impostos atingem limites intoleráveis, o investimento privado é reduzido porque não há confiança e, em breve, teremos o princípio do desinvestimento”.

Soares dos Santos considera ainda que “pouco ou nada foi feito para se melhorar as finanças públicas. Apenas se aumentaram os impostos, ao mesmo tempo que se agudizou a dívida nacional para níveis incomportáveis, podendo não estar longe o dia em que não haverá dinheiro nos cofres”.

O problema, defende, resolve-se “a trabalhar mais horas e mais a sério, quer no Estado quer na iniciativa privada, de forma a permitir a redução do custo da hora de trabalho, tornando-a mais competitiva”.

“Urge reduzir o absentismo, altíssimo em Portugal, e perceber que o Sistema Nacional de Saúde gratuito faz parte do passado, pois o envelhecimento da população e os desenvolvimentos tecnológicos na área da saúde impõem investimentos brutais que não permitem a prestação de um serviço gratuito e competente”, acrescentou.

Em declarações à Lusa, Soares dos Santos realçou ainda a necessidade de “atacar a fraude e a corrupção que se propagam no campo do desemprego, das autarquias, do Rendimento Social de Inserção”.