Sentimento económico melhora na Europa e piora em Portugal

O indicador de sentimento económico da Comissão Europeia continuou a melhorar em Agosto na zona euro e na União Europeia, mas teve uma queda significativa em Portugal, agravando a diferença negativa face aos seus parceiros, que já se encontrava em valores históricos muito elevados.

Depois de uma subida mais pronunciada em Julho, o indicador de sentimento económico europeu melhorou em Agosto a um ritmo mais lento, tendo passado de 102,1 para 102,7 na zona euro e de 101,1 para 101,8 na UE, estando assim ligeiramente acima da sua média de longo prazo (100). A subida deste mês aconteceu sobretudo devido à subida da confiança dos consumidores, que foi menos negativa.

No entanto, em Portugal desceu de 93,3 para 90,8. Este indicador atingiu em Fevereiro do ano passado o mínimo da série, em 68,6, tendo o seu máximo sido registado em Março de 1998, em 116,2. A descida do indicador relativo a Portugal deveu-se em primeiro lugar à queda da confiança nos serviços, mas também no sector do comércio a retalho (não é ainda conhecido o valor relativo à construção).

Por seu lado, o indicador de clima de negócios para a zona euro teve uma ligeira descida em Agosto, de 0,63 em Julho para 0,61 agora, depois de no mês passado ter apresentado uma subida acentuada.

Este valor interrompe assim uma subida continuada que vinha desde Abril do ano passado, após um mínimo de -3,67 em Março.

O Instituto Nacional de Estatística também revelou ontem os dados do seu indicador de clima económico, que é feito com base no mesmo inquérito utilizado pela Comissão Europeia, mas que não inclui a confiança dos consumidores e refere-se à média dos últimos três meses. Neste caso, o indicador manteve-se estável em 0,1 pontos, no seu valor mais elevado desde Setembro de 2008, que marca o início da crise financeira e económica global.

Simultaneamente, a confiança dos consumidores teve, na média dos últimos três meses, a sua primeira recuperação, de -41 para -40,3, desde que iniciou uma descida acentuada em Novembro do ano passado. Esta subida, explica-se sobretudo pelo facto de ter sido em Junho, momento em que foram anunciadas diversas medidas de austeridade, que a confiança dos consumidores mais tinha caído em Portugal.