CARTAS À DIRECTORA

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"Filhos obesos devem ser separados de pais negligentes"

Numa época de "limpeza", mais um título a reforçar os tempos higiénicos em que vivemos! Qual será o pensamento de uma criança que lê este título num jornal...

Lendo mais um pouco deste artigo verificamos que estas crianças podem ser recolhidas em instituições, no âmbito da Comissão de Protecção de Jovens!

Não podemos esquecer que vivemos num país onde os problemas sociais abundam, enquanto os meios para os solucionar escasseiam!

- Não será urgente agir em relação a crianças que desmaiam com a fome, pois muitas vezes às 12h ainda não ingeriram uma refeição?

- Não será urgente ajudar as famílias que nesta época do ano têm de comprar livros, roupa, material escolar, mas os seus rendimentos (apesar de diminutos) não lhes permitem usufruir dos subsídios fornecidos pelo Estado? Não podemos esquecer que gastamos cerca de 200 a 300 euros só em livros! Um livro escolar pode ir até aos 40 euros! (Já agora, o PÚBLICO não quer lançar uma campanha de venda de livros escolares?...)

- Não será urgente agir nas crianças que têm pais com problemas de alcoolismo e violência doméstica! Dar respostas eficazes a estes problemas!

Com tanto para fazer, tantos campos para intervir, não será forçado no nosso país retirar crianças das famílias devido à obesidade... Para onde vão? Com que acompanhamento?

Lembro que a comida saudável sai muito cara (as courgettes são mais caras que as batatas; a carne e o peixe mais caros que a salsichas; etc.), além disso a sua confecção consome muitas, muitas horas na cozinha, implica muitas, muitas horas em compras, etc.

Considero a intenção boa, mas deviam ser mais comedidos nas palavras... Com tanta "limpeza": de obesidade, de fumo (não sou fumadora), etc., começo a ficar um pouco assustada! Não defendo a doença! Mas defendo o direito à educação (inclusive dos pais)!

Defendo o direito à diferença!

Maria da Conceição Gonçalves, Braga

Washington, D.C.

Se há uma coisa pior que um jornalista de direita é um jornalista de esquerda. As reportagens que pude ler na imprensa mais "liberal" (no sentido americano da palavra) acerca da manifestação de direita que teve lugar em Washington no passado dia 28 são inaceitáveis tanto politicamente como do ponto de vista da chamada ética jornalística (incluindo a do PÚBLICO, minha cara Kathleen Gomes).

Basicamente, os jornalistas de esquerda fartaram-se de gozar com as pessoas que foram à manifestação: o aspecto que tinham, aquilo que diziam, tudo. Não deviam tê-lo feito. Não é sua obrigação ter sabedoria política e, portanto, talvez não tivessem percebido que o que se passou ali foi o segundo grande passo (depois do movimento tea party) para a constituição de um vasto corpo eleitoral de extrema-direita que empurrará nessa direcção o futuro candidato republicano e pode pôr na Casa Branca um presidente comparado com o qual Ronald Reagan ou George W. Bush eram comunistas.

Todavia, ridicularizar aquelas pessoas não foi sinal de ignorância política e social. Foi mesmo cegueira sectária: se a manifestação tivesse sido da esquerda, não passaria pela cabeça destes jornalistas gozar com os maneirismos dos grupos gay, os tocadores de bombos, os penteados extravagantes, as palavras de ordem lunáticas. Tudo isso seria apresentado como normal e até digno de elogio pela sua "diversidade" (como se não houvesse diversidade à direita).

Está claro que não acredito nem por um segundo na imparcialidade do jornalismo, um dos mitos sobre os quais assenta o mito maior de que vivemos em democracia (e de que isso é possível). Mas acho que os jornalistas devem atinar. Ou, como se diz na América, get a grip!

Paulo Varela Gomes, S. Domingos

Uma rectificação de Francisco Louçã

Escreve o PÚBLICO na sua última página de 30 de Agosto que, no discurso de encerramento do "Socialismo 2010", terei referido o "Bloco de Esquerda como o único partido verdadeiramente democrático". Trata-se simplesmente de uma falsificação. Não fiz essa afirmação nem nenhuma que possa ser interpretada como significando algo de parecido, como, de resto, pode ser constatado pela cobertura noticiosa que o PÚBLICO fez do encontro e onde nunca tal afirmação aparece citada.

O respeito pela verdade dos factos é sempre preferível à invenção dos pseudofactos.

Francisco Louçã

Deputado do Bloco de Esquerda