Benfica

Roberto começou no banco como vilão e acabou em campo como herói

David Luiz felicita Cardozo, autor do primeiro golo do Benfica
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David Luiz felicita Cardozo, autor do primeiro golo do Benfica Rafael Marchante/Reuters

Guarda-redes espanhol perdeu o lugar para Júlio César, mas recuperou a titularidade e o amor dos adeptos benfiquistas em apenas 22’.

Como é que um penálti apontado aos 25’ contra o Benfica se traduziu na melhor notícia para o treinador “encarnado” Jorge Jesus e para o (ex) mal-amado guarda-redes Roberto? Parece bizarro, mas é perfeitamente justificável. Remetido para o banco de suplentes depois de uma exibição desastrosa frente ao Nacional, na Madeira, o espanhol regressou desta curta travessia do deserto para tentar emendar um erro de Júlio César e Maxi Pereira, que resultou num castigo máximo e na expulsão do primeiro e conseguiu evitar o golo do empate do Vitória de Setúbal, na Luz.

O futebol pode ser, de facto, muito irónico. Não é invulgar um protagonista passar de vilão a herói em pouco tempo, mas Roberto terá estabelecido este sábado um recorde mundial nesta matéria. Vítima da ira dos adeptos depois de um “frango” aos 66’ do encontro do Funchal na última jornada (que resultou na derrota da sua equipa, por 2-0), o ex-Atlético de Madrid, também conhecido ultimamente como “mister 8,5 milhões” (em referência ao valor, em euros, despendido pelo Benfica na sua contratação), conquistou finalmente o amor dos benfiquistas.

Ao impedir o golo a Hugo Leal, Roberto impediu os “encarnados” de comprometerem os primeiros três pontos no campeonato e moralizou a equipa para alcançar um segundo e tranquilizador golo. Os aplausos eufóricos das bancadas comemoraram esta “ressurreição” do espanhol, que não poderia ter sido mais oportuna.

Um golpe de teatro inimaginável quando logo aos 4’, o argentino Gaitán cruzou na perfeição para a cabeça de Cardozo marcar o golo inaugural dos homens da casa, tornando-se no primeiro reforço da equipa lisboeta a justificar o investimento dos responsáveis da Luz nesta temporada (8,4 milhões de euros).

Com menos um jogador, mas em vantagem no marcador, o Benfica teve a arte e a felicidade para despedaçar as esperanças setubalenses nos instantes finais do primeiro tempo: um canto apontado por Aimar e uma cabeçada de Luisão valeram o segundo golo.

A confortável vantagem permitiu ao Benfica gerir tranquilamente a segunda metade e até dar tons de goleada à partida, com Aimar a fechar a contagem em 3-0, aos 57’, no primeiro triunfo dos lisboetas na presente temporada. Nota ainda para a estreia de Salvio, último reforço de Jorge Jesus, a titular. Ainda que tenha sido efémera e curta, já que foi o jogador sacrificado na expulsão de Júlio César.


POSITIVO e NEGATIVO

+


Roberto
Assistiu ao apoio dos adeptos a Júlio César nos primeiros minutos, mas nunca imaginaria o que a noite reservaria para si. A defesa do penálti pode ter sido tudo aquilo que precisava para recuperar a confiança.

Gaitán e Aimar
Residiu nestes dois argentinos o segredo da vitória “encarnada”.

Primeiro tempo
Seria difícil esperar mais emoção na Luz.

-


Maxi Pereira e Júlio César
Mau atraso do primeiro, atrapalhação do segundo, que depois derrubou Zeca na grande área, e tudo poderia ter ficado muito negro para o Benfica.

Vitória de Setúbal
Prometeu, mas não teve capacidade para evitar a goleada, mesmo com mais um jogador durante 70’.
Ficha de jogoBenfica, 3
Vitória de Setúbal, 0

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.Assistência
36.975 espectadores.

Benfica

Júlio César

4

, Maxi Pereira

4

, Luisão

6

, David Luiz

6

, Fábio Coentrão

6

, Javi García

6

, Salvio

-

(Roberto

7

, 24’), Aimar

7

, Gaitán

7

(Carlos Martins

6

, 72’), Saviola

5

(Rúben Amorim

6

, 46’) e Cardozo

6

.

Treinador

Jorge Jesus.

V. Setúbal

Diego

5

, Collin

4

, Ricardo Silva

4

, Anderson do Ó

4

, Ney Santos

5

, Hugo Leal

4

(Jaílson

4

, 52’), Silva

5

, Zé Pedro

4

, Miguelito

5

, Sassá

5

(Paulo Regula

4

, 61’) e Zeca

6

(Henrique

5

, 61’).

Treinador

Manuel Fernandes.

Árbitro

Vasco Santos

5

, do Porto.

Amarelos

Ricardo Silva (30’), Regula (85’) e Luisão (90’).

Vermelho directo

Júlio César (23’).

Golos

1-0, por Cardozo, aos 4’; 2-0, por Luisão, aos 44’; 3-0, por Aimar, aos 57’.

Notícia actualizada às 23h56