O papel central da Maçonaria

Decisivo na influência que as teses feministas adquirem junto do poder é a ligação das principais feministas com a Maçonaria, que ocorre ainda antes da implantação da República. Esta é a primeira geração política maçónica integrada por mulheres e homens, salienta a historiadora Maria Helena Carvalho dos Santos no seu texto que integra o Catálogo da Exposição Carolina Beatriz Ângelo, Intersecções dos sentidos/palavras, actos e imagens, do Museu da Guarda.

Em 1907, Adelaide Cabete (que adoptou o nome de Louise Michel), Ana de Castro Osório (Leonor da Fonseca Pimentel), Carolina Beatriz Ângelo (Lígia) e Maria Veleda (Angústias) aderem à Loja Humanidade, do Grande Oriente Lusitano Unido (GOLU), criada em 1904 e que a 8 de Abril de 1908 passa, assim como todas as lojas femininas, do estatuto de adopção por uma loja de homens ao estatuto de independentes, no seio do GOLU, explica, no memo catálogo, o especialista em Maçonaria António Lopes.

As quatro principais feministas portuguesas da primeira vaga integram, assim, a Loja Humanidade e todo o seu percurso será feito sempre em ligação com o GOLU, ainda que em polémica sobre o direito à autonomia das mulheres maçónicas.

O fim das lojas femininas no GOLU, em 1923, leva a Loja Humanidade a aderir a uma outra organização maçónica mista, o Supremo Conselho Universal Misto - Direito Humano, presidida por Adelaide Cabete, até 1926, e com ligações estreitíssimas ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. As maçonarias passam à clandestinidade em 1935, com a Lei das Seitas.

Segundo João Gomes Esteves, que aponta como referência os estudos recentes de Isabel Lousada, "a importância histórica desta proximidade é evidenciada na missão secreta atribuída a Adelaide Cabete e a Beatriz Ângelo pelo vice-grão-mestre da Maçonaria, José de Castro, para a confecção "no prazo máximo de 48 horas" de 20 bandeiras "verde-rubras" a serem desfraldadas aquando da revolução".