Debate constitucional beneficia Sócrates, diz Portas

Depois de semanas de silêncio em torno da querela constitucional entre PS e PSD, o líder do CDS-PP vai apontar o dedo aos sociais-democratas por terem dado "um novo fôlego" ao primeiro-ministro como defensor do Estado Social. Esta será uma das mensagens do discurso de Paulo Portas no comício de amanhã à noite, em Aveiro, segundo fonte do CDS.

Na rentrée do partido, Paulo Portas prepara-se para não deixar sair ileso o PSD, a propósito da proposta de revisão constitucional, ao ter dado margem de manobra a José Sócrates para se reclamar como defensor intransigente do Estado Social. O líder do CDS vai contestar a legitimidade de Sócrates nesse papel, apontando falhas na área da saúde (comparticipação de medicamentos, por exemplo) e da segurança social (aumento de pensões). Uma resposta directa ao discurso de Sócrates, no passado sábado, em Mangualde: o secretário-geral do PS acusou o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, de pretender acabar com o Serviço Nacional de Saúde e com o princípio da universalidade do ensino.

Na sua intervenção, Portas também quer mostrar um "grande distanciamento" na "guerrinha" entre PS e PSD. E lembrar que as alterações à lei fundamental precisam de uma maioria de dois terços no Parlamento para serem aprovadas. Ou seja, precisam de um entendimento entre PS e PSD. Uma querela que Portas vê como uma cortina de fumo para "esconder" um acordo que possam ter no próximo Orçamento do Estado. Neste ponto, o líder centrista não irá esquecer a questão do tecto às deduções fiscais que o Governo quer introduzir e lembrar que PS e PSD já aprovaram um aumento de impostos avaliado em 2,400 milhões de euros. Um aumento da carga fiscal que Portas não quer perdoar ao PSD se o partido liderado por Passos Coelho se disponibilizar para viabilizar a entrada em vigor do Código Contributivo já em Janeiro de 2011.

Para o primeiro-ministro, Paulo Portas reserva ainda outras críticas: Sócrates "voltou à ilusão" quando fala de crescimento económico e esqueceu questões como a do endividamento ou do risco de rating da República.

Ainda antes do comício de amanhã, Paulo Portas faz a sua rentreé nos mercados e feiras. Hoje à noite estará na Feira de São Mateus, em Viseu.