Modernização da Linha do Douro travada

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Requalificação das linhas do Douro e Tâmega "chocou" com o Plano de Estabilidade e Crescimento paulo ricca

Ministério das Obras Públicas, respondendo a pergunta formulada pelo PCP no Parlamento, fala em "recalendarização" do projecto sem, contudo, se comprometer com datas

Foi necessária uma pergunta do deputado Honório Novo, do PCP, na Assembleia da República, para o Governo finalmente assumir que a modernização da Linha do Douro, em especial a electrificação do troço entre Caíde e Marco de Canavezes, já não vai avançar.

Até agora apenas se sabia que a Refer tinha comunicado às empresas que se apresentaram no concurso público para o projecto que este fora cancelado. O Ministério das Obras Públicas vem agora confirmar que, no âmbito do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), "foram recalendarizados vários projectos, no que diz respeito ao horizonte 2010-2013, entre os quais, a electrificação do troço Caíde-Marco e requalificação da Linha do Tâmega".

Na resposta ao deputado do PCP, o gabinete do ministro António Mendonça dedica quatro das seis páginas do documento à crise financeira e económica internacional, ao défice público e à necessidade da consolidação orçamental. Quando chega à ferrovia, explica que praticamente cingiu os investimentos no sector à conclusão das empreitadas em curso, supressão de passagens de nível e aos projectos relacionados com mercadorias (ligações a portos e plataformas logísticas). É neste contexto que a modernização da Linha do Douro é "recalendarizada", sem que sejam apontadas novas datas.

Este é o segundo adiamento da modernização da Linha do Douro. O primeiro ocorreu no primeiro governo de Sócrates, numa altura em que a obra já tinha projecto. A ausência de electrificação nos 14 quilómetros que separam Caíde e Marco faz com que o serviço suburbano da CP Porto tenha que ser assegurado naquele troço com comboios da CP Regional (embora os passageiros paguem um tarifário suburbano). É também esse o motivo por que é feito um transbordo em Caíde, que é uma espécie de "fim de linha" da modernidade - acabam os comboios eléctricos e segue-se em material antiquado até ao Marco, Régua e Pocinho.

Para a CP Porto isto acarreta custos elevados, uma vez que tem de pagar à sua congénere CP Regional pelo serviço de navette entre Caíde e Marco. Os custos de exploração são obviamente mais pesados, mas as receitas, a preços de suburbano, são bem mais leves.