Ahmadinejad apresentou ao mundo o Karrar, um "mensageiro de paz"

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O Irão "deve poder cortar a mão do agressor antes de este nos agredir" disse Ahmadinejad VAHID REZA ALAEI/AFP

O Presidente iraniano quer que o país esteja dotado de armas dissuasoras para responder "às ameaças de agressão" e descreveu o engenho como um mensageiro da "generosidade humana"

O regime de Teerão revelou ontem numa cerimónia de pompa o protótipo de um bombardeiro não pilotado de longo alcance, construído com tecnologia exclusivamente iraniana, que visa responder "às ameaças de agressão". Pode ser portador de uma "mensagem de morte", mas é acima de tudo um "mensageiro de paz", sublinhou o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Em palco e acompanhado por chefias militares, Ahamdinejad levantou a cobertura do protótipo do avião - baptizado Karrar ("Atacante", em persa) -, revelando um engenho de quatro metros de comprimento, com capacidade de transportar duas bombas de 115 quilos ou uma bomba de precisão de meia tonelada. Mais tarde, a televisão estatal iraniana mostrou imagens do Karrar em voo numa região semideserta.

Sem revelar as exactas capacidades do engenho, as autoridades iranianas garantem que o avião tem um alcance de mil quilómetros - sendo o primeiro do país com tais características. Ahmadinejad afirmou que o Irão tem que desenvolver capacidades para lançar "ataques preventivos" face a eventuais ameaças, embora sublinhasse que Teerão nunca será o primeiro a atacar.

"Se houver uma pessoa ignorante ou um egoísta ou um tirano que queira fazer uma agressão, então o nosso ministro da Defesa deve poder cortar a mão do agressor antes de este nos agredir. Este avião é um mensageiro de honra e da generosidade humana e um salvador da humanidade, antes de ser um mensageiro da morte para os inimigos da humanidade", argumentou o Presidente.

Israel condena Bushehr

O Karrar é a mais recente mostra de armamento por parte de Teerão nos últimos meses, que passou já por sistemas de misseis, outros engenhos telecomandados mas de mais reduzido alcance e também submarinos.

Na sexta-feira, foi feito novo teste do míssil terra-terra Qiam, ao mesmo tempo que se assiste a um crescendo de tensão na comunidade internacional em relação ao programa iraniano de enriquecimento de urânio. As ambições nucleares do país são olhadas com desconfiança pelas potências ocidentais, temendo que o Irão tente construir uma bomba atómica.

O regime de Teerão insiste que os seus objectivos são pacíficos, destinados à produção de energia, e não tem recuado apesar das já quatro rondas de sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A apresentação do Karrar surge um dia depois de o Irão ter começado a alimentar a central nuclear de Bushehr - algo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel condenou. "É totalmente inaceitável que um país que viola de forma tão flagrante [os tratados internacionais] possa gozar dos frutos de utilizar energia nuclear", referia um comunicado.

Israel apelou à comunidade internacional para "reforçar a pressão sobre o Irão", de forma a impedir que [o país] se dote de armamento nuclear e ponha fim ao programa de enriquecimento de urânio.