O Escritor-Fantasma

É o melhor filme de Polanski desde "Tess", de 1979? Ou desde "Frantic", de 1988? Ou mesmo desde esse desastrado "guilty pleasure" chamado "Pirates" (1986). É. O que não é difícil tendo em conta a acidentada carreira do realizador. Só que também não é a obra-prima que tem sido anunciada. Veja-se como Polanski e Robert Harris, argumentistas que adaptam o romance do segundo, não contornam qualquer "cliché". E ao contrário do que acontecia, por exemplo, em "Frantic", não transformam esta viagem (no caso, de Ewan McGregor) por "paisagens" aparentemente conhecidas, pacificadas - não é só a vista que McGregor tem da magnífica janela, são também as voltas e reviravoltas do "thriller", as personagens e situações recorrentes - num percurso em que o conhecido, o óbvio, por ser sublinhado se transforma numa aprendizagem da angústia, na iniciação à paranóia. Não, Polanski esquia sobre os clichés, recria-se formalmente (a elegância é inatacável) e faz um "digest" e um dos seus filmes mais pacificados. Também dos mais distanciados. A sequência final pode deixar-nos de boca aberta? Sim, mas só por alguns segundos. De qualquer forma: o homem regressou.

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