Contraponto é o atraso dos EUA

New York Times elogia sucesso da viragem energética em Portugal

O jornal sublinha a aposta nas energias renováveis mais eficazes, como a hídrica e eólica
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O jornal sublinha a aposta nas energias renováveis mais eficazes, como a hídrica e eólica Paulo Pimenta/arquivo

O jornal New York Times publica hoje um extenso artigo a citar a aposta portuguesa de sucesso nas renováveis e como os norte-americanos podem aprender com o caso.

Sucesso rápido, políticas públicas agressivas, aposta nas energias renováveis mais eficazes (hídrica e eólica), reestruturação do sector eléctrico, fortes investimentos na modernização da rede são os aspectos sublinhados no artigo, que menciona também os custos inerentes à opção atribuída a Sócrates e a Manuel Pinho, citados no trabalho.

Do país historicamente dependente do petróleo para o que em 2011 “espera tornar-se o primeiro a inaugurar uma rede nacional de estações de carregamento para carros eléctricos”, o jornal diz que os últimos cinco anos foram de “transformação radical” num país que “mudou por necessidade”.

Baseia-se, para isso, em resultados positivos visíveis, no último relatório da Agência Internacional de Energia, em estudos de consultoras internacionais como a IHS Emerging Energy Research of Cambridge e nos alertas ao futuro do sistema energético norte-americano.

“Quase 45 por cento da electricidade em Portugal vem este ano de fontes renováveis, mais 17 por cento do que há apenas cinco anos”, depois de no ano passado ter-se tornado, pela primeira vez, exportador líquido de energia, sublinha o diário, citando o caso como referência para ultrapassar o que falta fazer nos EUA. Segundo o IHS, os EUA produzirão este ano apenas 20 por cento de energia renovável, face ao total.

As questões suscitadas com o impacto ambiental do derrame da BP no Golfo do México e a decisão da administração Obama de aumentar a fatia de electricidade de fonte renovável para 20 a 25 por cento em 2025 são o ponto de partida do artigo.

Considera, por exemplo, que “a experiência de Portugal mostra que o progresso rápido é possível, embora também mostre que essa transição tem um preço” e que é ter energia mais cara. Num país com preços de energia historicamente inferiores aos europeus, a comparação é feita com os portugueses que “pagam o dobro” das famílias dos EUA, para além de pagarem hoje mais 15 por cento do que há cinco anos, segundo o jornal.

Lembra que a Agência Internacional de Energia diz, por um lado, que a transição de Portugal para as energias renováveis é um “sucesso notável” e, por outro, que “não é ainda claro se o impacto dos custos financeiros e económicos nos preços aos consumidores é bem compreendido”.

Com o relatório da IHS a prever que as políticas públicas agressivas continuarão a ter sucesso em países como Portugal, Irlanda, Dinamarca e Reino Unido, o NYT reconhece que uma “reorganização tão drástica deverá ser extremamente difícil nos EUA, onde as companhias eléctricas têm forte influência política e os estados decidem se querem promover a energia renovável”.

Lembra também que o programa de sucesso tem “perdedores”, nomeadamente as populações que passaram a ter de viver com os aerogeradores à vista, dentro dos seus campos, e com o “trap-trap-trap” da circulação das pás, para além de ter interferido com o comportamento das aves.