POSITIVO e NEGATIVO

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Varela
A lesão que sofreu no final da época passada não deixou marcas. Varela continua a ser uma dor de cabeça para quem lhe surge na frente e mostrou no segundo golo que o entendimento com Falcao se mantém perfeito.

Rolando
Com a saída de Bruno Alves, a defesa portista está órfã de um líder. A capacidade de Rolando assumir esse papel é questionável, mas o internacional português saiu ontem de Aveiro com nota muito positiva.

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César Peixoto
Jorge Jesus apostou nele para o “onze” inicial, mas já se deve ter arrependido. Peixoto andou sempre perdido em campo e não foi mais-valia a defender ou a atacar. Mais uma oportunidade perdida.

David Luiz
Muito se falou dos milhões que chegavam de todo lado para a contratação do defesa central e foi finalmente convocado para a selecção brasileira. Mas, com exibições como a de hoje, David Luiz dificilmente conseguirá convencer Mano Menezes, o novo seleccionador brasileiro.

Supertaça

Villas-Boas já tem motivos para se rir de quem desconfiou do novo FC Porto

O Benfica não mostrou a sua habitual capacidade goleadora
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O Benfica não mostrou a sua habitual capacidade goleadora Rafael Marchante/Reuters

“A confiança está toda do nosso lado e continuaremos a rir da desconfiança.” A frase de André Villas-Boas na antevisão da final da Supertaça chegou a soar a arrogância, mas hoje em Aveiro ganhou uma validade inquestionável. Na estreia oficial como treinador portista, Villas-Boas ganhou em toda a linha e o FC Porto manteve a tradição de dominar a prova. Derrotou de forma clara um irreconhecível Benfica, por 2-0, e venceu pela 17.ª vez a competição.

Na ficha de jogo surgiu a primeira surpresa da noite. Jorge Jesus, depois de ter andado na pré-época a testar um Benfica em 4x3x3 com Jara em destaque, deu um passo atrás e regressou ao esquema privilegiado na última temporada (4x4x2). Mas as peças agora são outras. Com Maxi de fora e Di María e Ramires noutros campeonatos, Jesus surpreendeu ao colocar Peixoto na esquerda da defesa. Coentrão deu meia dúzia de passos à frente e tentou fazer de Di María. Amorim ficava a controlar Varela na direita e, no meio-campo, apareceu Airton no lugar de Javi García. A aposta do treinador benfiquista revelou-se um flop.

Com as opções de Jesus, o Benfica acabou por perder em toda a linha: Peixoto nunca foi um obstáculo às investidas de Hulk e pareceu sempre perdido em campo à espera das indicações dos colegas — quase sempre em versão raspanete; Airton perdeu a luta com Moutinho e Belluschi; Coentrão raramente recebeu a bola em condições; Martins não consegue estar em todo o lado como Ramires. Se não bastasse, acrescente-se um David Luiz irreconhecível, um Roberto inseguro como tem sido habitual e um Cardozo a jogar em super-slow motion. Deste cocktail saiu uma presa fácil para os portistas.

De tudo isto se aproveitou Villas-Boas. O treinador do FC Porto não inventou, colocou em campo a equipa esperada e apostou na velha máxima: a melhor defesa é o ataque. Após as falhas do quarteto defensivo em Paris, Villas-Boas jogou pelo seguro. O FC Porto entrou a toda velocidade, com o trio Fernando-Moutinho-Belluschi a colocar pressão sobre o portador da bola e a partir com rápidos ataques pelas alas, por Hulk e Varela. A fórmula parecia simples: se o adversário é bom de bola, há que lha tirar.

O jogo começou com os portistas autoritários, a mandarem e a marcarem, num lance que reflecte bem o que se passou durante toda a partida. Logo aos 3’, David Luiz saiu da marcação para tentar interceptar um passe, perdeu a bola para Moutinho e o ex-sportinguista colocou de imediato em Hulk na direita. O brasileiro aproveitou o buraco na defesa “encarnada” e assistiu Varela. O português, no entanto, demorou a reagir e o remate foi interceptado. Do canto, surgiu o golo: Moutinho coloca na área e Rolando, sem marcação, atira de cabeça para a baliza.

Sem reacção benfiquista, os portistas partiram para 30 minutos de bom futebol e a primeira oportunidade dos lisboetas surgiu apenas aos 20’, com um remate de fora da área de Carlos Martins. Quem mandava, no entanto, era a equipa de Villas-Boas e Sapunaru (23’) e Moutinho (erro de Roberto, aos 44’) estiveram perto do 2-0.

Na segunda parte esperava-se que Jesus corrigisse o erro inicial, mas manteve-se tudo na mesma. Os “encarnados” continuavam a ser inofensivos e o FC Porto limitava-se a gerir o jogo a seu bel-prazer. Aos 59’, Jesus colocou Jara em campo (risco zero com a saída de Aimar) e a partida ficou definitivamente decidida oito minutos depois. Varela colocou o turbo na esquerda, deixou Luisão (em inferioridade física) e Amorim para trás e serviu Falcao. Com a classe habitual, o colombiano colocou a bola no ângulo e marcou pela primeira vez ao Benfica. Game over. Inesperadamente simples para o FC Porto.

Ficha de jogo

Benfica, 0


FC Porto, 2


Jogo no Estádio Municipal de Aveiro. 
Assistência
cerca de 30.000 espectadores

Benfica

Roberto 4, Ruben Amorim 5, Luisão 6 (Sidnei 4, 69’), David Luiz 4, César Peixoto 4, Airton 4, Carlos Martins 5, Pablo Aimar 5 (Jara 4, 59’), Fábio Coentrão 5 (Gaitán -, 77’), Saviola 5 e Cardozo 4.

FC Porto

Helton 7, Sapunaru 6 (Miguel Lopes -, 74’), Rolando 7, Maicon 6, A. Pereira 6, Fernando 6, João Moutinho 7 (Raul Meireles -, 81’), Belluschi 7, Varela 7 (Cristian Rodriguez 5, 69’), Hulk 6 e Falcao 7.

Árbitro

João Ferreira 5, de Setúbal. 


Amarelos

Fernando (19’), F. Coentrão (30’), Luisão (47’), Aimar (51’), A. Pereira (56’), David Luiz (57’), Sapunaru (57’), Jara (63’), J. Moutinho (76’) e Helton (86’).

Golos

0-1, por Rolando, aos 3’; 0-2, por Falcao, aos 67’.

Notícia actualizada às 23h58